quinta-feira, 18 de maio de 2006

Desiderata of the guitar


Go placidly into the practice room and remember what peace there may be in playing the guitar. As far as possible without surrender be on good terms with your guitar.
Keep your back straight and your posture relaxed. Move your body where it wants to go. Be like the deer and the leopard. They know nothing of follow-through's or sympathetic motions. They move effortlessly preferring to let the wind carry them.
Especially know that your fingers have their own secrets. Let them speak to you. Keep a quiet mind and listen to your body. Do not fight your body or you will kill its natural impulses. Do not impose your will on your fingers or you will subdue their talents.
Let your music speak for you. Do not try to impress your peers. Jealous persons intent on finding faults will find them.
Avoid loud vexatious persons who will tell you the secrets of life. The world is full of wise men who hide behind a wall of self-delusion. Listen to their playing and ignore their words. Words are cheap, advice is easy, but diligent practice is hard and great playing is rare.
Trust your judgment, do not follow the pack. Crowd hysteria exists in all quarters. Rather find your own space and believe in it. Follow your instincts for they will lead you to unexpected and delightful places.
Listen to every one and listen to no one. The great players and the not so great, they all have their stories. Listen to them and take with you what you need.
As you gain in wisdom, do not be afraid to share it. But realize that many have not traveled the same roads. Do not impose your wisdom on others, let them come to you.
Indulge in your music. Move with the rhythm, Let your melodies sing of the joys and sorrows of life. Play only those pieces which move you. Life is too short to spend on pieces which do not speak to you.
Therefore be at peace with your guitar, whatever you conceive it to be. Practice hard. Strive to be happy.
texto extraido do site: http://philiphii.com

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Zen Guitar



Estudar a arte cavalheiresca do violão é como a arte do arqueiro Zen: "Milhares de repetições, e a perfeição emerge a partir do nosso verdadeiro ser."

Não perca tempo!!! Vá treinar!

JP.

Algumas idéias do Romantismo.




Depois das grandes revoluções políticas, o século 19 foi o período da consolidação do regime democrático e da economia capitalista, na sua fase chamada de "imperialismo": a matéria-prima fluía continuamente para as indústrias européias, vinda dos recém independentes países sul-americanos, das colônias africanas e dos milenares países asiáticos (China, Índia e Japão, entre outros).
A rivalidade comercial na Europa foi aumentando e inúmeras guerras localizadas aconteceram. Duas delas consolidaram as unificações nacionais da Itália e da Alemanha. Também o movimento operário se organizou, através dos sindicatos e dos partidos políticos, conquistando, pacificamente ou não, vários direitos sociais até então negados pelas elites. A Ciência tornou-se a principal referência em matéria do conhecimento, desbancando a Filosofia e a Religião, e começou a influenciar o comportamento cotidiano das pessoas.
Nas Artes tivemos um desenvolvimento impressionante de tendências e correntes. As principais correntes literárias foram, na seqüência de surgimento: Romantismo, Realismo/Naturalismo e Parnasianismo, Simbolismo e as primeiras correntes modernistas. Nas Artes Visuais: Romantismo, Realismo, Impressionismo, Art Nouveau, Art Décor, Art Naif e as primeiras correntes modernistas.
A música foi batizada, genericamente e por comodidade, com o nome de "Romantismo". Entretanto esta denominação não expressa de maneira adequada a profunda transformação musical ocorrida nesta arte entre o final do século 18 e o século seguinte. E muitos historiadores já estão propondo redefinir esta nomenclatura para melhor explicitar as várias correntes musicais.
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O Romantismo filosófico-cultural surgiu quase simultaneamente na Inglaterra e na Alemanha no final do século 18. Este movimento era primeiramente uma reação política contra os ataques napoleônicos e, mais tarde, tornou-se uma revolta contra qualquer sujeição às regras sociais, religiosas, culturais e artísticas. Na França, depois de muita resistência, chegou por volta de 1810. E daí espalhou-se para o mundo.
As características desta estética foram:

- liberdade artística e técnica;
- liberação dos sentimentos pessoais (muitas vezes melancólicos) valorizando o "eu" (reflexo do individualismo da burguesia);
- nacionalismo;
- volta a uma Idade Média idealizada;
- exotismo;
- orientalismo;
- saudação ou temor pelo avanço da Ciência ;
- crítica ou fervor religioso;
- exaltação à Natureza em contraposição às convenções da civilização industrial;
- Nostalgia;
- Exaltação da infância como retorno a natureza.

Além disto, para os românticos, a Arte redimiria o ser humano. Os artistas, livres de qualquer herança dos estilos passados e da tutela aristocrática ou clerical, passaram a se submeter às leis do mercado e moldavam sua obra conforme suas expectativas e os seus anseios pessoais em relação à competição individual e ao impacto comercial que poderia causar num público disposto a pagar pela sua criatividade. Decorrem daí os clichês individualistas de que o Romantismo é a "arte confessionária", "arte da expressão pessoal", "arte das emoções e sentimentos puros", e os conceitos de "inspiração", "talento" e "gênio".
Forjada pelos livros de história - para deleite dos diletantes - e, também, pelos próprios artistas, a imagem que temos deles é que nasciam predestinados ou eram de outro mundo; tinham uma infância sofrida e pobre; viviam e morriam com o "mal do século"; estavam sempre ao luar com suas fervorosas amadas imortais; eram gênios incompreendidos; eram vítimas de intrigas e conspirações; ficavam frustrados, desesperados, pessimistas, chorosos e dengosos sem qualquer razão aparente; tinham quinze minutos de uma vasta aclamação pública, mas eram criticados áspera e atrozmente pelos insensíveis críticos da época; produziam cenas escandalosas ou ataques da mais pura loucura; diziam frases retumbantes de inspirada elevação filosófica, poética ou existencial; estavam alienados e não se importavam com nada; gastavam o dinheiro que tinham e o que não tinham e, finalmente, morriam na maior miséria, jovens e esquecidos injustamente, para ressuscitar, para a maior glória, algum tempo depois. Tudo isto é lenda, igual ao que se veicula nas revistas sobre astros do cinema e televisão hoje em dia. A realidade é que a arte, em qualquer momento, vive de um pouco de mistificação, mas é um trabalho e o resultado é fruto de estudos disciplinados e pesquisas cotidianas incessantes.

Bases Filosóficas.

Na segunda metade do século XVIII, entre 1760 e 1785, houve um movimento filosófico que prepararia o caminho para o Romantismo e repercutiria nas obras clássicas de Haydn e Mozart. Este movimento chamou-se Sturm und Drang. O culto à genialidade, a auto-afirmação, a revolta contra os “ditames da razão”, a busca da espontaneidade e da simplicidade na poesia e na música, a busca das raízes históricas nacionais, são todos elementos do Sturm und Drang e repercutiram ao longo de todo século XIX.
O caráter subjetivo da poesia baseada neste movimento filosófico, que aparece em grande parte no Lied poético, vem a ser bastante importante na criação do Lied musical. Como exemplo podemos citar poesias de Goethe, Claudius, Bürger, Lenz e Heder, que foram musicadas por Schubert.
Para a filosofia o ponto de partida do Romantismo foi a obra do autor Fichte, publicada em 1794 com o título Fundamento de Toda Teoria da Ciência. Suas idéias foram difundidas pelos irmãos Schlegel, considerados por muitos autores como os “fundadores do Romantismo”. Um dos traços mais marcantes deste novo movimento, o Romantismo, seria a busca por uma unidade e pela superação de todos os dualismos. O alvo final seria atingir o absoluto, deixando assim a natureza de ser um gigantesco mecanismo governado por leis naturais eternas. Aparece a idéia da evolução em base dialética. Tais idéias nos são apresentadas não só pelo citado autor Bruno Kiefer, mas também pelo especialista em filosofia do Romantismo Gerd Bornheim, e pelo autor Paulo Vizzioli, que escreveu o artigo “sentimento e razão na poesia do Romantismo”.
Estes conceitos e idéias filosóficas têm seus reflexos não só nas ciências, mas também nas artes deste período. A idéia da obtenção de um todo orgânico levaria Wagner mais tarde à busca de uma “arte total”.
Um outro aspecto a ser destacado no Romantismo, é a nostalgia. Sobre ela, temos a seguinte citação de Bornheim: “... a nostalgia não é um fenômeno primeiro do Romantismo. Primeiro é o sentido do infinito, do absoluto, interior à alma humana, condenada a sua finitude, e que se extravasa no romântico sob a forma de nostalgia”. Em seu texto Filosofia do Romantismo, Bornheim cita a autora Carolina Schlegel: “...devemos, algum dia nos tornar onipresentes, todos uns nos outros, sem contudo, sermos unidade. Pois unos não devemos nos tornar porque então o esforço para atingirmos à unidade cessaria”. Parece-nos que estas afirmações sintetizam o pensamento filosófico Romântico.
A música romântica está toda impregnada deste pensamento, desta nostalgia. Para os românticos, a arte deve desvelar a verdade do absoluto. Esta última não é outra senão a beleza. Por esta razão, o artista adquire no Romantismo uma posição singular de importância na sociedade. Os sentimentos, em razão das idéias filosóficas, passam a ter maior importância na vida dos homens. De acordo com o autor do livro Aspectos Psicológicos do Romantismo, Carlos Moraes, “ ao poeta romântico interessa não o poema perfeito, mas aquele que faça pulsar o coração encharcando os olhos de pranto”. Tal afirmação pode ser também dirigida ao músico deste período. A fantasia criadora assume uma importância maior do que a capacidade arquitetônica. Encontramos no texto de Bruno Kiefer trechos do diário de Schubert em que este último diz: “Oh, fantasia! Tu és a jóia inexaurível do homem, fonte inesgotável da qual bebem tantos os artistas quanto os sábios. Permaneça ainda conosco, apesar de reconhecida e admirada somente por poucos, para nos defender contra o assim chamado iluminismo. Aquele feio esqueleto sem músculos e sem sangue”.

AGUSTIN BARRIOS - O PAGANINI DAS SELVAS DO PARAGUAI



PROFISSÃO DE FÉ
"Tupã, o Espírito Supremo e protetor de minha raça, Encontrou-me um dia no meio de um bosque florescido.E me disse: Toma esta caixa misteriosa e descobre seus segredos.E, aprisionando nela todos os pássaros canoros da florestaE a alma resignada dos vegetais, abandonou-a em minhas mãos. Tomei-a, obedecendo a ordem de Tupã, Colocando-a bem junto ao coração, Abraçado a ela passei muitas luas à borda de uma fonte.E, uma noite, Jaci, retratada no líquido cristal, Sentindo a tristeza de minha alma índia, Deu-me seis raios de prata para com eles descobrir seus arcanos segredos.E o milagre se operou: do fundo da caixa misteriosa, Brotou a sinfonia maravilhosaDe todas as vozes virgens da natureza da América."

AGUSTÍN BARRIOS.



"Hoje, numa época em que os recitais de violão podem ser encarados como uma parte integral da vida de concertos, onde há um repertório e um público formados, é difícil imaginar as dificuldades que se impuseram para Barrios apresentar um concerto desta natureza. Um paraguaio descendente de índios, tocando um instrumento de reputação duvidosa, associado à malandragem, e ao qual não se atribuía a capacidade de sustentar um argumento musical. Sabe-se que Barrios conheceu Villa-Lobos e se encontrou com os chorões cariocas, que estavam no auge de popularidade na década de 1910, e chegou a conhecer João Pernambuco e dizer que ninguém improvisava como ele. Depois de um retorno decepcionante ao Paraguai, Barrios decidiu retornar ao Brasil, cenário de seus maiores êxitos, e aqui residiu até 1932. Foi um período que marcou época na história do violão, durante o qual Barrios compôs grande parte de suas melhores obras."

(Fábio Zanon)

two pictures of the great Michael Hedges