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sábado, 14 de março de 2026

Tradução do livro "The Technique of David Russell:165 Pieces of Advice from a Master Guitarist", de Antonio de Contreras.


 Olá. De volta às nossas postagens aqui no The Tao of the Guitar. Estou bem empolgado para as nossas aventuras musicais desse ano. 

Para a nossa postagem de hoje, trouxe a tradução para o português, de um importante documento de apoio pedagógico para estudantes de violão clássico. Trata-se da tradução do livro The Technique of David Russell: 165 Pieces of Advice from a Master Guitarist, de Antonio de Contreras (original em inglês, publicado em 1998), uma homenagem ao gênio desse violonista escocês, um dos maiores do mundo. David Russell é referência absoluta em técnica e musicalidade no violão clássico, e esses 165 conselhos – compilados de suas aulas anuais em Sevilha – são ouro puro pra quem estuda sério.

The Technique of David Russell: 165 Pieces of Advice from a Master Guitarist, de Antonio de Contreras (CreateSpace Independent Publishing Platform, 2015, 30 páginas, ISBN 978-1519107480), compila anotações das aulas anuais que David Russell – um dos maiores violinistas clássicos vivos – ministrou em Sevilha entre 1992 e 1998. Inspirado pela última visita do mestre, o autor resume as ideias mais impactantes sobre técnica mecânica, musicalidade, estudo e performance em 165 conselhos práticos e diretos. Apesar de sua brevidade, o livro preenche uma lacuna essencial na bibliografia contemporânea do violão, oferecendo "anotações de aula" que estimulam a reflexão sobre a arte, sem pretender esgotar a complexidade da técnica de Russell.


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Aviso importante: Esta tradução é exclusivamente para fins pessoais e educacionais, sem qualquer caráter comercial. Não está à venda nem é distribuída comercialmente. Respeitamos integralmente os direitos autorais do autor e editores originais. Recomendo adquirir o livro original sempre que possível.



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A TÉCNICA DE DAVID RUSSELL

165 Conselhos de um Mestre do Violão

por Antonio de Contreras


INTRODUÇÃO

Desde 1992, David Russell ministra um curso anual em Sevilha. Sua última visita, no início deste ano letivo, nos motivou a revisitar as anotações acumuladas desde sua primeira edição, o que gerou a ideia de apresentar um resumo das ideias mais destacadas. Nosso objetivo é usá-las como base para reflexão e como ponto de partida para uma análise mais profunda da técnica desse famoso concertista. Os resultados de uma análise extensa de seu estilo de concerto e método de ensino certamente ultrapassariam os limites de um livro pequeno como este, embora uma obra completa preenchesse, sem dúvida, uma lacuna importante na bibliografia da guitarra contemporânea. Não pretendemos estabelecer de uma vez por todas as bases que sustentam o trabalho técnico, estilístico e pedagógico desse intérprete, mas, de forma bem mais modesta, oferecer ao leitor "anotações de aula" com as ideias que colhemos desse mestre do violão ao longo de cinco anos de cursos. Por isso, ao organizar o material, em vez de preparar um texto discursivo que transmitisse a sensação de algo mais definitivo e conclusivo, optamos por uma fórmula de epigramas baseada em conselhos curtos, organizados por temas e apresentados como frases numeradas. Além disso, ao decidir o estilo de apresentação desses "conselhos", procuramos manter e transmitir a atmosfera aberta e flexível, alinhada à frescura e ao tom descontraído das aulas de David Russell.

Sentimo-nos obrigados, no entanto, a nos desculparmos antecipadamente por quaisquer erros ou imprecisões que possam aparecer no que se segue. Confiamos que o leitor entenderá as causas: por razões óbvias, essas anotações foram tomadas com mais fidelidade em algumas ocasiões do que em outras. Em certos casos, foi possível repetir literalmente as palavras de David Russell, conferindo às ideias uma naturalidade e vitalidade que refletem a atmosfera dos cursos. Em outras ocasiões, porém, só foi possível captar um esboço da ideia, que teve de ser reconstruída e completada a partir da memória algum tempo após a aula.

Ao classificar as ideias no texto, tivemos em mente a distinção terminológica apresentada por Angelo Gilardino em seu Nuovo Trattato di Tecnica Chitarristica (Berbén Edizioni Musicali, Ancona, 1993), onde ele diferencia dois tipos de técnica, conforme o trecho a seguir:

"O guitarrista, assim como qualquer outro instrumentista, deve desenvolver dois tipos de técnica: uma musical e outra mecânica. A primeira o colocará em condições de desvendar a música escrita, medir seu ritmo, cantar suas linhas melódicas, analisar sua forma e estrutura para dar-lhes vida como percepção interna, modelando a frase antes de reproduzi-la materialmente. A segunda, subordinada à primeira, permite transformar em realidade no instrumento tudo o que ele percebeu e imaginou durante a leitura e análise do texto musical. É isso o que chamamos de 'técnica mecânica'." (Angelo Gilardino, op. cit., p. 7).

Assim, partimos do ponto de vista de dois grupos principais de ideias, que correspondem aos dois sentidos da palavra "técnica" descritos acima. Mas esses não são os únicos temas abordados por David Russell em seus cursos, por isso adicionamos duas seções mais: "Técnicas de Estudo", que reúne as duas mencionadas anteriormente, e, por fim, "Técnica de Performance", que trata do momento final do processo, quando o intérprete se apresenta ao público e demonstra o produto final de seu estudo das obras que executa. Com essas quatro seções, cobrimos todo o procedimento de trabalho do intérprete sobre uma peça musical específica.

O autor mostrou o material original desses textos a David Russell, que gentilmente concordou em revisá-lo. Infelizmente, por razões decorrentes de sua agenda apertada, ainda não temos seus comentários disponíveis, mas esperamos contá-los no futuro. Aproveitamos a oportunidade para agradecer a David Russell por sua generosidade. De qualquer forma, dado o interesse da comunidade guitarrística internacional em seu trabalho e a virtual inexistência de estudos sobre sua técnica, não resistimos mais à tentação de divulgar este material, na esperança de que seja útil e interessante para todos os leitores.

Sevilha, abril de 1998.




SUMÁRIO

PARTE UM: TÉCNICA MECÂNICA ........................ 
A. CONSIDERAÇÕES GERAIS ........................ 
B. A MÃO ESQUERDA ........................ 

Saltos longitudinais ........................ 

Contração-extensão ........................ 

Vibrato ........................ 

Ligaduras e ornamentos ........................ 

Ligados ascendentes e descendentes (Slurs)........................ 

A pestana ........................ 

C. A MÃO DIREITA ........................ 

Arpejos e acordes arpejados ........................ 

O braço ........................ 

O ataque dos dedos: indicador, médio e anelar (i, m, a) ........................ 

O polegar ........................ 

Volume ........................ 

Cor do som ........................ 

Tremolo ........................ 

Trilos ........................ 

D. COORDENAÇÃO DAS DUAS MÃOS ........................ 

PARTE DOIS: TÉCNICA MUSICAL ........................ 

Harmonia ........................ 

Ritmo ........................ 

Algumas notas sobre aspectos de estilo e forma ........................ 

PARTE TRÊS: TÉCNICAS DE ESTUDO ........................ 

PARTE QUATRO: TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO ........................ 






PARTE UM: TÉCNICA MECÂNICA

A. CONSIDERAÇÕES GERAIS
1 - Aprendemos a superar dificuldades específicas em estudos específicos e, depois, não somos capazes de reconhecer as mesmas situações em outros contextos. Precisamos aprender a decompor as dificuldades em seus elementos técnicos, entendê-los e aplicar o conhecimento específico que adquirimos.

2 - Parte do dia deve ser dedicada à técnica. Se a técnica é praticada apenas ao aprender uma peça, o aprendizado vira uma espécie de corrida de obstáculos.

3 - Durante o estudo técnico, não se devem permitir movimentos "ruins" das mãos. Ao interpretar uma peça em público, podemos tolerar um erro ocasional, mas na prática da técnica, não. Aqui estamos criando bons hábitos.

4 - Um estudo ruim pode ser comparado a tentar pegar um objeto do chão enquanto se anda de bicicleta. Mesmo passando pelo mesmo lugar cem vezes, nunca conseguiremos pegá-lo. É preciso parar, descer da bicicleta, pegar o objeto e depois continuar.

5 - A menos que evitemos, a tensão muscular se acumula de uma dificuldade para outra. Para evitá-la, pratique a primeira dificuldade, pare, relaxe e depois pratique a segunda.

6 - Se você consegue fazer bem uma vez, então consegue fazer bem toda vez.

7 - Para estabelecer a dedilhada mais adequada, busque padrões que sempre proporcionem a frase mais fluida. Toque a frase em questão por seções e veja onde interromper o som e onde não interromper.

8 - Um bom truque para descobrir uma dedilhada mais fácil é ler a peça de trás para a frente. Ou seja, comece na posição difícil, que sempre é alcançada com esforço, e continue reconstruindo a frase ao contrário.

9 - Em uma frase que envolve um salto, tente evitar que ele coincida com um ponto importante da frase, para que a lacuna na produção de som não seja tão perceptível.

10 - Se houver uma passagem extremamente difícil, tente manter uma mensagem unificada. Não é tão importante tocar todas as notas, mas é importante dar às notas uma forma reconhecível, tocando "nos lugares certos" (precisão rítmica) e com um senso de "direção".

11 - Distribua a dificuldade entre as duas mãos. Às vezes, é necessário reduzir a dificuldade de uma mão só para aumentar a da outra, e vice-versa.

12 - Não acentue a primeira nota após um salto longitudinal, a menos que a música exija. Frequentemente, essa nota é acentuada involuntariamente pelo movimento mecânico da mão.

13 - É melhor aceitar chegar atrasado após um deslocamento difícil do que encurtar a nota anterior na tentativa de ganhar tempo para a mudança de posição. Se fizermos isso, chamamos a atenção do público para a dificuldade.

14 - Se tiver de cortar uma nota, é melhor tocá-la um pouco mais suave com vibrato e depois tocar a nota seguinte, que continua a frase, um pouco mais forte (sem acento, a menos que a música exija).

15 - Se a interrupção da frase for inevitável, tente justificá-la musicalmente: estenda a nota anterior (com vibrato) ou, melhor ainda, prepare a interrupção desacelerando a música. Isso cria mais tempo entre as notas, indicando que a nota encurtada demorará a chegar.

16 - Para disfarçar saltos longitudinais, diminua o volume, mas mantenha o tempo para evitar o reflexo natural de acelerar e passar pela parte difícil mais rápido – o que, no fim, só chama a atenção do público pro problema.

B. A MÃO ESQUERDA
SALTOS LONGITUDINAIS

17 - Terças sucessivas nas cordas agudas: evite deslocamentos contínuos (mova o polegar o mínimo possível, encontrando e fixando na memória os pontos de pressão, se possível, cada um servindo para um par de terças) e busque os lugares mais adequados para interromper o som.

18 - Se houver uma nota repetida antes de um salto, não a repita com o mesmo dedo, mas substitua por outro que favoreça o deslocamento.

CONTRAÇÃO-EXTENSÃO

19 - Os músculos da mão esquerda servem para fechar a mão, de modo que, quando a mão está aberta, eles ficam em posição forçada. É preciso enviar uma mensagem suplementar de relaxamento para contrabalançar essa tendência natural à contração.

20 - Uma extensão com os dedos 1-2 é sempre preferível a uma com os dedos 3-4.

21 - Se for preciso fazer uma extensão muito longa: "desvie" a atenção do público para um dos extremos texturais, ou seja, a voz superior ou o baixo, para que a outra fique em segundo plano e a perda de qualidade sonora não seja tão notável.

22 - Após uma extensão, o primeiro passo é relaxar e depois fazer o deslocamento – não faça o deslocamento com a mão estendida (forçada ou tensa), para que, durante o movimento, a mão relaxe e seja o braço que faça o trabalho.

VIBRATO

23 - O vibrato é uma das principais formas de expressão no violão, mas a maioria dos violinistas o usa de forma intuitiva, e não é comum encontrar um método sistemático para praticá-lo nos métodos de violão. No meu caso, passei muito tempo estudando-o, talvez por causa da minha formação inicial como violinista.

24 - Evite vibrato nervoso e descontrolado: pratique com metrônomo. Comece colocando o metrônomo em 60 e tocando notas longas com 2 oscilações por tempo.

25 - Após praticar o vibrato como descrito no ponto anterior, aumente progressivamente a velocidade sem alterar muito a posição da mão, até 120 tempos para um vibrato relaxado ou 160 para um vibrato intenso.

26 - Para mais potência e controle, use dois dedos no vibrato.

27 - Se a música exige vibrato e estamos usando pestana, solte-a (se possível), mas não vibre imediatamente. Retarde o vibrato um pouco e faça-o mais devagar.

28 - Faça um plano para a peça usando vibratos em velocidades diferentes, ou seja, decida um "plano de vibrato", mas sem exagerar.

29 - Para tornar uma nota mais brilhante (especialmente notas agudas), vibre-a um pouco mais rápido.

30 - Com uma nota de curta duração, vibrato lento não é possível, pois não há tempo suficiente, e soa como se a corda estivesse desafinada.

31 - Se não for possível manter uma nota aguda na melodia, vibre-a bem suavemente com uma nota muito redonda e, imediatamente, desvie a atenção para a linha de baixo ou outra voz. A nota aguda continuará "soando" na memória do ouvinte.

32 - É possível fazer uma breve pausa na nota mais importante de uma frase vibrando-a e suspendendo o tempo por um instante para acentuar a expressão. Mas isso deve ser feito com muita sutileza: imagine que estamos jogando um objeto para cima – há um momento em que ele fica imóvel antes de cair.

33 - O vibrato em uma melodia é uma "arma musical" que podemos usar para atrair atenção, mas se o usarmos constantemente, perde o efeito.

LIGADURAS - ORNAMENTOS

34 - Ligaduras úteis são aquelas que nos obrigam a formar frases musicais. As outras (puramente mecânicas) devemos eliminá-las ou, se não for possível, compensá-las com qualidade ou cor de som (timbre), sem deixar óbvia a imposição mecânica sobre a musicalidade.

35 - Grupos de ornamentos românticos são mais sensuais (mais lentos, quase sem tocar a primeira nota). Grupos barrocos são mais abstratos (mais rápidos e com mais acento na primeira nota).

36 - Em geral, podem ser tocados um pouco devagar no início e depois acelerados progressivamente para compensar o tempo "gastos" no começo.

37 - Após um mordente (que geralmente termina com um guincho inevitável), vibre a nota um pouco para disfarçá-lo.

38 - Apogiaturas: acentue a apogiatura e suavize a resolução (ou melhor ainda: em vez de acentuar, torne-a mais interessante vibrando a segunda metade da nota).

39 - Com grupamentos longos (de quatro ou mais notas), não ataque a primeira nota com força. Esse ataque forte geralmente vem do "medo de perder som", mas isso é absurdo. O som se renova a cada ligação. O único resultado é desequilibrar o grupamento.

40 - A dedilhada mais indicada para trilos em duas cordas é: a-im-p (a e m tocando na corda mais aguda).

41 - Se o trilo está marcado com crescendo e não é possível fazê-lo (porque estamos tocando em uma só corda), acelere ligeiramente, o que aumentará o interesse e compensará a falta de crescendo.

LIGADOS ASCENDENTES E DESCENDENTES("SLURS")

42 - É melhor não tocar a nota inicial, mas "pousar" na corda a partir de um ponto indefinido.

43 - Na música de Tárrega e romântica tardia, chegue cedo à nota designada e depois toque-a bem.

44 - O slur é amplamente usado em mudanças de posição e dá bons resultados em tremolos românticos, embora nem sempre esteja escrito na partitura.

45 - No período clássico, os slurs são muito suaves e discretos, com a primeira e a última notas bem claras.

A PESTANA

46 - Lembre-se das possibilidades da pestana "corrida" ou "móvel" para facilitar dedilhados (especialmente para evitar movimentos transversais desnecessários do dedo 1) e não quebrar a continuidade da frase.

47 - O problema na pestana não é tanto a pressão, mas a distribuição da força ao longo do dedo. Se aprendermos a controlar a parte do dedo que vai exercer a pressão, o problema está resolvido.

48 - Se usarmos muita pressão, mas em posição errada, o dedo tende a curvar-se e nem todas as notas soarão. O problema mais comum é no centro, onde os sons se perdem por falta de pressão. Precisamos aprender a exercer pressão com a parte central do dedo indicador, mas só usá-la quando necessário.

49 - A pestana "curva" (que cobre dois trastes consecutivos) pode ser muito útil. Exercício: comece com uma pestana reta, gire a base do dedo indicador meio tom para baixo mantendo o resto do acorde. Depois endireite a pestana para voltar à posição inicial (um traste atrás) e continue descendo assim por quatro ou cinco trastes.

C. A MÃO DIREITA
ARPEJOS E ACORDES ARPEJADOS

50 - O terceiro ou quarto acorde de um grupo, se funcionar como resolução, pode ser tocado em arpejo (diferente dos anteriores), mais forte e com leve atraso.

51 - Ao tocar arpejos, evite movimento do braço ao longo das cordas (trajetória circular com o cotovelo como centro).

52 - É melhor tocar acordes em arpejo onde há instabilidade tonal na música (acordes dominantes, dissonantes). Por outro lado, os acordes usados para resolver a tensão soam melhor tocados "de placa" e suavemente.

53 - Para arpejos longos (cerca de duas oitavas) que terminam com uma nota no registro muito agudo, toque a nota final em reststroke com leve vibrato.

ARPEJOS E ACORDES ARPEJADOS 

54 - Se você vai tocar vários acordes arpejados seguidos, não os toque todos na mesma velocidade.

55 - Para que uma progressão de acordes soe mais fácil e fluida, relaxe o tempo e arpeje o acorde imediatamente antes da progressão com rubato.

O ATAQUE DOS DEDOS: indicador, médio e anelar (i, m, a)

56 - O dedo anelar, além de atacar a corda com o movimento normal (em direção à palma da mão), tem um leve movimento horário quase imperceptível, ou seja, a ponta tende a se mover ligeiramente em direção ao dedo médio.

O BRAÇO

57 - Evite movimento do braço a partir do cotovelo (ver 46) paralelo ao tampo harmônico ao tocar arpejos ou escalas (em geral, para passagens do grave às notas agudas ou vice-versa). A mão deve estar posicionada para que os dedos tenham fácil acesso a todas as cordas sem mover o braço.

58 - Evite maneirismos e gestos com a mão e braço direitos que não acrescentem nada musicalmente e tecnicamente deslocam a mão da posição correta.

59 - Free-stroke (toque "sem apoio", ou TIRANDO) é o ataque normal, mas sem puxar a corda para fora nem paralelo ao tampo harmônico, e sim empurrando-a um pouco em direção à caixa de ressonância (Tampo).

60 - Reststroke ou free-stroke (com apoio ou sem apoio?)? O importante é encontrar uma posição para a mão que permita ter ambos os tipos de ataque disponíveis e dê homogeneidade a eles, para que não haja diferença qualitativa (contraste na cor do som), mas uma soma quantitativa dos dois ataques (com som mais alto e cheio no caso do reststroke).

61 - Também devemos tentar manter uma posição que permita tocar free-stroke(sem apoio) com alguns dedos ao mesmo tempo em que tocamos reststroke(apoio) com outro.

62 - O som da unha é produzido porque o dedo passa pela corda mais devagar do que deveria. O ataque deve ser em um só golpe e o mais rápido possível. É questão de alta velocidade (para evitar o som da unha), mas não de força. Deve-se conseguir tanto o uso de alta velocidade com pouca força quanto com muita força.

63 - Para cordas encordoadas (baixos, cordas encapadas), busque um ataque com "menos ângulo", ou seja, mais perpendicular, para não "raspar" a corda.

64 - Para escalas rápidas nas cordas graves, uma dedilhada muito boa é p-i.

65 - Para ligaduras duplas ou movimento simultâneo e repetição de dedo (por exemplo: i-m), mantenha uma separação uniforme entre os dedos.

66 - Experimente a dedilhada p-m-a em vez de p-i-m se quiser destacar a nota do meio.

67 - Para destacar o baixo em uma dupla de cordas 6ª-5ª, toque o baixo com o dedo indicador e a 5ª com o polegar (cruzando os dedos).

O POLEGAR

68 - Mantenha a ponta do polegar reta para tocar com a unha.

69 - Reststroke (apoio) com o polegar é quase um "luxo", que não podemos usar constantemente porque a mão sai da posição, então devemos selecionar cuidadosamente os momentos em que queremos usar esse ataque.

70 - Uma vez que a nota foi tocada, podemos curvar a ponta do polegar, pois isso agora não afetará a música.


O POLEGAR 

71 - O punho pode ser elevado um pouco para dar espaço ao polegar, de modo que ele se torne um dedo independente como os outros e não apenas uma extensão do braço.

VOLUME

72 - Para amortecer as notas graves com o polegar, o punho deve estar baixo, mas, uma vez amortecidas as notas, deve voltar imediatamente à posição natural.

73 - Distribua o volume e aplique-o em doses. Deve-se fazer um plano de distribuição de volume para toda a peça ou movimento.

74 - Acente as notas com qualidade e som cheio, em vez de apenas com mais volume.

75 - Se após uma parte alta vier uma parte suave no soprano, ataque com menos ângulo, buscando um som mais claro e cortante (se buscarmos um som redondo em uma parte muito suave, nada será ouvido).

76 - Se tivermos de dar força a um acorde final (sem arpejo) em uma frase já alta, retarde sua aparição um pouco. O silêncio criará expectativa e acentuará ainda mais sua entrada.

77 - Se quisermos dar mais força a uma nota, aumente o movimento do dedo, mas sem mover a mão, para que o trajeto do dedo empurre a corda mais para dentro.

78 - Quando há uma nota sustentada no soprano e simultaneamente duas intermediárias (com indicador e médio) como acompanhamento em semicolcheias repetidas, essas duas notas devem soar como um eco do soprano.

79 - Quando há duas vozes: muito suave na voz aguda e de repente muito forte no baixo, pressione a corda grave para preparar o ataque um pouco antes de tocar. Isso evitará o "efeito de beliscão", em que ambas as vozes soam alto.

80 - Na música barroca, embora haja crescendos e diminuendos indicados na partitura, é melhor pensar em termos de níveis contrastantes de volume sonoro entre seções diferentes.

COR DO SOM

81 - O que realmente produz o som é o último contato da ponta da unha com a corda.

82 - Se você fizer um desenho ruim e pintá-lo com cores brilhantes, o resultado será um desastre. Se fizer um bom desenho (fraseado corretamente) e puder adicionar alguma cor (qualidade tímbrica) tão sutil que nem seja perceptível, melhor ainda. Mas também não se trata de estragar um bom desenho com cores inadequadas (efeitos timbrísticos mal executados ou descuidados).

83 - Para alcançar essas "cores sutis", em vez de buscar estereótipos do violão, podemos aprender ouvindo atentamente boas peças orquestrais.

84 - Para as cordas graves nos trastes I a IV, é boa ideia mover a mão um pouco em direção à ponte, obtendo assim uma qualidade mais metálica, mas mais eficaz.

85 - Mudanças de som, se feitas, devem indicar uma clara intenção, pois, do contrário, podem soar como erros na homogeneidade sonora resultantes de técnica ruim.

86 - Se quisermos parecer mais rápidos do que realmente estamos tocando, articule com um leve staccato.


COR DO SOM 

87 - Para cordas soltas ou nas primeiras posições, um som mais aberto (menos ângulo) é melhor, mas para posições mais altas, um som mais fechado (mais cheio, com mais ângulo).

88 - Se tivermos uma melodia em harmônicos e o acompanhamento em notas naturais, nunca corte as notas da melodia. Devemos buscar dedilhados que permitam tocar o acompanhamento sem interromper as notas da melodia.

89 - Harmônicos elevados uma oitava nas cordas encordoadas soam mais limpos usando o polegar para produzir a nota.

90 - A quinta corda em posições altas geralmente não soa bem em nenhum violão. Se isso ficar muito óbvio, o melhor é tentar uma dedilhada diferente que a evite.

91 - Precisamos investigar o som de cada nota em nosso violão para encontrar as notas "boas" e as "ruins", de modo a aproveitá-las ou evitá-las sempre que possível.

92 - Paradoxalmente, violões de boa qualidade geralmente acentuam os defeitos típicos de todos os violões (são mais sensíveis nesse aspecto também).

TREMOLO

93 - Um bom tremolo é aquele que tem um bom dedo anelar. Como o dedo com a unha mais longa, geralmente é o menos coordenado.

94 - Para praticar o tremolo com metrônomo, coloque o acento em um dedo diferente por alguns minutos de cada vez, garantindo que você esteja pronto para tocá-lo de forma equilibrada.

95 - Para conectar o tremolo com o que vem depois, podemos seguir o mesmo tempo ou desacelerar exageradamente as últimas notas do tremolo e começar a frase normal no tempo correto (deixando claro que algo novo está começando).

TRILOS

96 - Trilos devem ter mais, não menos som, já que são uma forma de tensão ou meio de produzi-la. Geralmente funcionam fazendo um crescendo dentro do trilo, começando mais devagar e acelerando para o final.

97 - Há várias maneiras de conseguir um trilo que permita o que foi mencionado no ponto anterior. Pessoalmente, o trilo em duas cordas me parece muito satisfatório. Pode ser feito: a) p-i como os laudistas ou b) com a-i-m-p.

98 - Para praticar esse último trilo mencionado no ponto anterior, pratique primeiro simultaneamente "p-a" e "i-m" e depois em sucessão, até integrar os dois grupos em um som contínuo.

D. COORDENAÇÃO DAS DUAS MÃOS

99 - Quando tocamos forte, devemos tomar cuidado para não exercer mais pressão do que o necessário com a mão esquerda.

100 - A maioria das pessoas que tocam involuntariamente com som staccato faz isso por problema de coordenação entre as duas mãos.


PARTE DOIS: TÉCNICA MUSICAL

101 - A técnica mecânica não deve ser notada (acentos produzidos pela mecânica do toque frequentemente contradizem os acentos exigidos pela música).

102 - Para estudar fraseado, é boa ideia (especialmente na música contrapontística) estudar só uma voz e depois adicionar as outras uma a uma, garantindo que todas soem igualmente bem.

103 - O melhor é tocar a peça sem acentos (como se fosse cravo) e depois decidir os acentos. Pratique várias possibilidades sem conclusões precipitadas.

104 - Intervalos difíceis de cantar podem ser ligeiramente desacelerados, dando a sensação de maior cantabilidade.

105 - Contraponto: dê personalidade aos temas. Destaque a curva melódica para que seja reconhecível mesmo em seções polifônicas complexas.

106 - Fraseado barroco: a obra de Bach é um exercício de equilíbrio. Para acertar, trabalhe em duas fases: 1. Coloque os dedos nos lugares certos. 2. Elimine acentos extras em cada voz que nos façam pensar mais vertical que horizontal. Quando o fraseado está bom, "soa fácil".

107 - Peças barrocas devem ser primeiro fraseadas sem ligaduras para projetar livremente as frases até o ponto final. Depois, veja quais vale a pena manter.

108 - Em Bach, é possível introduzir trilos e mordentes nos momentos de tensão ou para destacar notas importantes.

109 - Há uma maneira de acentuar sem aumentar o volume: retardar a nota um pouco (como fazem os cravistas).

110 - Para suavizar lacunas às vezes inevitáveis, use um rubato leve e sutil.

111 - Se uma voz soprano precisa ser interrompida por mudanças frequentes de posição, desvie a atenção para outra voz.

112 - Se não houver alternativa senão encurtar o som, toque a frase de modo que a "interrupção faça sentido musical".

113 - Não abuse do acento inicial do compasso, especialmente na música renascentista e barroca, pois o sentido da frase é mais importante que o acento inicial. Por exemplo, notas que coincidem com o tempo do compasso não devem ser acentuadas se também marcam o fim da frase.

114 - Frases devem ter pontos de respiração, como se estivéssemos tocando um instrumento de sopro.

115 - Em repetições da mesma frase, mude o acento (nem sempre satisfatório, mas às vezes uma mudança sutil adiciona a variedade necessária).

116 - Duas notas sucessivas em cordas diferentes não dão sensação de formar uma "palavra". Não contribuem pro fraseado a menos que a técnica seja suficiente pra tornar imperceptível que estão em cordas diferentes.

117 - Uma frase com crescendo, aceleração ou ambos nem sempre precisa ser tocada gradualmente. Às vezes é melhor mudar pouco no início e só "acelerar" no final.

118 - Dois segredos para pausas no fraseado: toque o acompanhamento com leve rubato e reduza o volume.

119 - Se temos uma frase com três partes em que a tensão se acumula gradualmente, podemos tocar a primeira com rubato, a segunda com menos rubato e a terceira com ritmo muito exato.

HARMONIA

120 - Quando a harmonia muda, pense em uma emoção como raiva, felicidade, tristeza ou sedução etc.

121 - O interesse geralmente se centra na nota que pede resolução.

RITMO

122 - Em geral, não cuidamos o suficiente do ritmo porque quase sempre tocamos sozinhos. Devemos prestar mais atenção, especialmente em seções rápidas com acordes arpejados, onde o movimento da mão direita pode, com um gesto repetido simples, acelerar cada arpejo, resultando em movimento rítmico "ondulado" em vez de regular.

123 - Não acelere o baixo (truque expressivo muito comum). Lembre-se que pode haver ouvintes seguindo a linha de baixo e se surpreenderão com uma nota inesperada.

124 - Para tocar escalas rápidas com mais virtuosidade, desacelere o início e acelere o final.

125 - Quando há mudanças de ritmo dentro de uma peça, dê-lhes sentido, faça algo musical entre elas, senão o efeito será como bater no toca-discos e a agulha pular pra outra faixa.

126 - Tocar todos os arpejos com rubato (por exemplo, no primeiro movimento de "A Catedral") dá importância demais ao acompanhamento. Só os arpejos que acompanham notas a destacar devem ser tocados com rubato.

ALGUMAS NOTAS SOBRE ASPECTOS DE ESTILO E FORMA

127 - É boa ideia ter muito cuidado com o tempo em que a peça está escrita. Por exemplo, uma Allemande está escrita em 2/4, não em compasso comum, então ao tocá-la devemos pensar em tempo binário, não quaternário.

128 - A execução de sarabandas geralmente é mais interessante se acentuarmos a segunda metade do compasso.

129 - Uma suíte de alaúde em Mi bemol maior normalmente é transcrita para o violão em Ré menor, mas é possível tocá-la em Mi bemol simplesmente colocando um capotraste no primeiro traste.

130 - Tenha cuidado com os tempos compostos na música romântica. A valsa vienense típica, que influenciou grande parte do nosso repertório nesse período, tem acento no terceiro tempo, não no primeiro.

131 - As "variações" não precisam soar como um grupo de pequenas peças repetindo o mesmo esquema. Devem estar integradas, pois é o conjunto como um todo que deve ser comunicado como mensagem musical.

132 - As pausas entre as variações são muito importantes. São momentos de máxima comunicação, de acumulação progressiva de tensão que se mantém na variação seguinte e continua até o final.

133 - Fugas são verdadeiros exercícios de equilíbrio e controle. Podem começar bem suaves e no tempo. Cada vez que outra voz entra, o volume pode ser aumentado um grau.

134 - Nos prelúdios, sempre há um fragmento caótico (rubato) antes do final.

135 - Sor e Aguado costumavam adicionar algumas notas para completar a harmonia nas repetições, e talvez possamos também ousar tentar isso em nossa execução.

136 - Ao olhar as obras do ponto de vista orquestral e de concerto, as partes "solo" poderiam ser tocadas com mais rubato e mais suaves.

137 - É muito típico na escrita de Sor para violão encontrar padrões melódicos que permitem manter uma pestana fixa, como se faz hoje no flamenco. Vale a pena ter isso em mente em alguns casos.


PARTE TRÊS: TÉCNICAS DE ESTUDO

138 - Memorize de trás para a frente, do final ao início da peça. Pode parecer exagerado ou trivial, mas o objetivo é inverter a atitude normal do executante. Sempre vamos do mais familiar ao menos familiar, mas memorizando do final ao início, tocamos do menos conhecido ao mais conhecido, aumentando assim nossa segurança e confiança.

139 - Não memorize involuntariamente sem perceber o que está fazendo. Faça isso de forma consciente e voluntária.

140 - A primeira sessão de memorização é muito importante, mesmo que dure apenas 10 minutos, e deve ser repetida meia hora depois. A motivação também é muito importante, então estabeleça prazos para si mesmo, mesmo que não os cumpra no final.

141 - Após memorizar a peça, é boa ideia gravá-la e depois, com a partitura à frente, dar uma aula para si mesmo anotando quaisquer defeitos.

142 - O cérebro pode funcionar como um gravador e podemos usar essa capacidade para resolver a mecânica de aprender uma peça. Isso significa repetir seções difíceis bem devagar para gravar na memória os movimentos corretos (mas cuidado para não gravar movimentos errados, que podem se fixar e exigir muito trabalho depois para apagar).

143 - A concentração pode ser exercitada às vezes praticando em um "ambiente distrativo" (em frente à TV, com uma pessoa ao lado que "incomoda", etc.).

144 - Não estude tocando só a melodia ou só o acompanhamento para estudar uma peça.

145 - Não estude continuamente por mais de 40 ou 50 minutos. Mude de atividade e depois volte ao trabalho.

146. Planejamento para uma sessão de estudo de três horas:
- Meia hora de técnica.
- Duas horas de estudo uma peça, com um intervalo no meio.
- Meia hora para se revisar o que se sabe.

147. Durante a manhã, é melhor estudar obras novas, pois se está mais
receptivo. Durante a noite, praticar “situações de concerto”.

148. A leitura à primeira vista é muito prática, pois nos permite encontrar
digitações alternativas instantaneamente. Para iniciar, são muito
recomendáveis os estudos de violino, pois os estudos de violão são mais
difíceis para se ler com fluência em um nível básico.

149. Lendo à primeira vista, há duas regras de ouro.
“Tocar o que vê”. Não é necessário tocar todas as notas, mas não se detenha
e mantenha a pulsação com precisão. “Olhe sempre de relance para o
compasso seguinte, para o meio do compasso seguinte ou para o compasso á
frente do que se toca.”

150. Ler devagar mas sem parar. É muito mais importante evitar paradas que
cortam a continuidade do discurso musical e nos impedem de dar sentido as
frases, que tentar aumentar a velocidade. Mesmo que esteja marcado
“Allegro”, se dará atenção a isso após o primeiro contato com a obra, não se
deve dar uma interpretação que exija uma velocidade determinada.

151. Antes de tocar uma peça em um concerto, é necessário ser capaz de
escrevê-la, revisá-la mentalmente e, ainda melhor, com o violão invertido, em
contato com o corpo, tocando sobre o braço do violão.

4. ATITUDE DO MÚSICO NA APRESENTAÇÃO EM PÚBLICO

152. Para combater o nervosismo temos que controlar nossa atitude. Em vez
de nos deixar levar pela situação e pela responsabilidade, devemos pensar
que somos como guias turísticos, que vamos conduzir o público, que vamos
mostrar-lhes nossa forma de ver a música.

153. Considerar os concertos como situações que nos brindam com a
oportunidade de, ao mesmo tempo que aprendemos sobre nós mesmos,
ensinar aos demais.

154. Ao estudarmos, temos que fazer com que a atitude física (rosto, corpo e
gestos) passe a sensação de que é algo fácil, sem agressividade, pois caso
contrário, fixaremos uma atitude de tensão, de dificuldade, que se prolonga
para a interpretação em público.

155. Tentemos escutar a nós mesmos enquanto estamos tocando.

156. É preciso ter segurança após termos trabalhado uma interpretação.
Podemos pensar: “essa é minha forma de ver esta peça, tão válida como a de
qualquer outro violonista, por melhor que ele seja”.

157. Levamos muito a sério as pequenas falhas ocorridas quando estamos
tocando para alguém. Não devemos achar que estamos sendo julgados a todo
instante. Uma falha que cometemos já pertence ao passado.

158. Podemos cometer um erro num concerto, mas temos que saber a origem
do erro. Caso contrário, adquirimos um mau hábito: esperar um acerto
fortuito no concerto ante uma dificuldade que não resolvemos durante o
estudo.

159. Dirigir-se sempre musicalmente para um ponto, ainda que apareçam
falhas no caminho.

160. É impossível tocar um concerto sem equivocar-se. É preciso aprender e
praticar a ligação de um erro com o que vier em seguida. Se isso não se pratica como se
pratica o resto, nos desconcertaremos quando ocorrer e um pequeno erro
pode se tornar um erro enorme, perderemos a concentração e possivelmente
ficaremos impedidos de seguir tocando.

161. Podemos praticar, em vez da habitual repetição voltando um compasso a
cada vez que se erra, saltar um compasso adiante.

162. Talvez a maior causa de preocupação e nervosismo não seja um pequeno
erro, mas que tenhamos um “branco”. É preciso praticar a memória formal ou
estrutural e trabalhar pontos de referência para saltarmos nos casos de
urgência.

163. Quando estamos um pouco nervosos: exagerar o fraseado (um pouco
rubato), pois com isso, suavizaremos a tensão.

164. Um pensamento positivo para ajudar nos movimentos difíceis: “está
saindo mal, mas sei que tenho recursos para supera-lo”.

165. Não percamos a paciência com nós mesmos, pois às vezes pensamos
que o público não vai ficar atento num movimento lento, por exemplo, e
aceleramos. Mas na maioria das vezes, o público presta mais atenção quando
o intérprete está mais tranquilo, do que quando ele está angustiado.
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FIM
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Nota de Esclarecimento sobre Direitos Autorais

Esta tradução de "The Technique of David Russell: 165 Pieces of Advice from a Master Guitarist", de Antonio de Contreras, é disponibilizada exclusivamente para fins pedagógicos e educacionais, sem qualquer caráter comercial ou intenção de lucro. Nosso objetivo é oferecer acesso ao valioso conteúdo desse livro para estudantes de violão clássico falantes de português brasileiro que, de outra forma, não teriam como consultar esse material essencial devido à barreira do idioma inglês e à escassez de edições em nossa língua.

Respeitamos integralmente os direitos autorais do autor, tradutor e editores originais. Esta versão não substitui a aquisição do livro original, que recomendamos fervorosamente. A tradução é um gesto de solidariedade acadêmica para democratizar o conhecimento técnico-musical, especialmente para alunos de conservatórios, autodidatas e professores que buscam aprimorar sua prática com as pérolas de sabedoria de David Russell.

Agradecemos ao autor por sua genial contribuição à arte do violão e incentivamos todos a apoiar a obra original sempre que possível.

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Nota sobre o Processo de Tradução com uso de I.A.

Esta tradução foi elaborada em duas etapas distintas. Inicialmente, utilizou-se um serviço de "inteligência artificial" para realizar a conversão do texto original em inglês para o português brasileiro, com ênfase na preservação do contexto técnico-musical específico do violão clássico. Posteriormente, procedeu-se a revisão humana por um especialista em violão clássico, abrangendo padronização terminológica, ajustes estilísticos para adequação cultural ao português brasileiro e verificação da fidelidade conceitual aos 165 conselhos originais. Considero e saliento que a intervenção humana foi essencial para resolver ambiguidades terminológicas, adaptar nuances pedagógicas ao contexto brasileiro e garantir a coerência técnica em relação às práticas de ensino e execução do repertório clássico.

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Para finalizar nosso post de hoje, deixo aqui um link para você ouvir um disco incrível de David Russell interpretando obras do compositor paraguaio Agustin Barrios:




Por hoje é só pessoal.
Espero que estes 165 conselhos de David Russell iluminem sua prática diária no violão clássico e inspirem reflexões sobre técnica e musicalidade.
Bons estudos pra todos nós.
Grande abraço,
João Paulo Pessoa



The Tao of the Guitar – Desde 2005

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Nota: Esse texto foi produzido, parcialmente, com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity. 

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"

quarta-feira, 11 de março de 2026

De volta às postagens: Villa-Lobos por Schi-ichi Fukuda

 



Prezados leitores,


É com grande satisfação que apresento o primeiro post de 2026 no The Tao of the Guitar. Ultimamente, tenho me dedicado intensamente ao estudo de meu repertório no violão clássico, às aulas no Conservatório Pernambucano de Música, e à produção de vídeos diários para meu canal no YouTube, bem como para as nossas redes no Instagram e Facebook. Essa agenda repleta tem dificultado a manutenção regular das postagens no blog. Assim, com raras exceções, os textos serão mais concisos e elaborados com auxílio de inteligência artificial. Reconheço que nada substitui a revisão humana, mas conciliar todas as demandas nem sempre é viável. Continuarei contando com a Perplexity para agilizar as tarefas aqui.

Para nossa postagem de hoje, solicitei à Perplexity um texto sobre o álbum "Villa-Lobos - Complete Works For Guitar" do violonista japonês Shin-ichi Fukuda. É uma das interpretações que mais gosto e, recentemente, voltei a ouvir bastante e indicar para alunos. Aqui vai o texto da Perplexity:

"Villa-Lobos Complete Works for Guitar: A Magistral Interpretação de Shin-ichi Fukuda

Aqui, mergulhamos em uma joia indispensável do repertório violonístico. Lançado em 1995 pelo selo japonês Audio Arts (AAR 013-2), este disco duplo foi gravado nos estúdios da NHK-FM em Tóquio, capturando com clareza cristalina a essência tropical e ritmada da obra completa de Heitor Villa-Lobos para violão solo.

Fukuda revela-se um mestre nos 12 Estudos (1929), onde sua precisão técnica e colorido tímbrico fazem brilhar faixas como o Estudo nº 1 (allegro moderato, com seu arpejo incessante) e o Estudo nº 11 (leitura clássica), evocando o Brasil profundo. Nas Cinco Prelúdios (1940), ele infunde lirismo poético ao Prelúdio nº 1 (melodia lírica) e vitalidade rítmica ao Prelúdio nº 5 (homenagem à vida social). Uma certa leveza jazzística nos é apresentada aqui em sua versão da Suite Popular Brasileira. Suas ideias musicais sobre o texto de Villa-Lobos fluem com autenticidade brasileira, destacando Schottisch-Chôro e Valsa-Chôro.

O que torna este disco essencial? Sua importância reside na diversidade interpretativa. Ouvir múltiplas referências enriquece nossa compreensão de Villa-Lobos, esse pilar do repertório moderno. Cada artista revela nuances: Fukuda, com seu toque depurado e oriental, equilibra o selvagem e o clássico, convidando-nos a uma escuta comparativa profunda."

Já notei que as I.A.s adoram esses termos como "escuta comparativa profunda" e coisas do gênero... Mas, o mais importante mesmo é que você escute o disco e tire suas próprias conclusões.

Deixo aqui o link para vocês ouvirem este álbum no YouTube Music, por ser a plataforma que utilizo:

https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_miZmRDaPiQJ4hqT0NaDbqsCSEJIS-080M&si=cQAxtMi_VAqcsTRq

O disco está disponível em todas as principais plataformas de streaming de áudio. Mas, se quiser informações sobre o disco físico (lançamentos, ano, gravadora, selo, etc), recomendo a pesquisa no site Discogs. Aqui está o link:

https://www.discogs.com/release/29806375-Shin-Ichi-Fukuda-Villa-Lobos-Complete-Works-For-Guitar?srsltid=AfmBOorVApTCAyqKzi15SXLRRWrAVGsGBOZUJOMsOTLb6AgKfofYKijW

Agradeço pela compreensão e pelo acompanhamento!

Grande abraço,
João Paulo Pessoa
The Tao of the Guitar – Desde 2005



Nota: Esse texto foi produzido, parcialmente, com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity. 

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: 20 Anos de The Tao of the Guitar – Um Ano de Celebração e Evolução!

 




É dezembro de 2025, e que ano marcante fizemos juntos! Os 20 anos do nosso blog, iniciados lá em 2005, transformaram 2025 em uma festa contínua de memórias, inovações e reflexões profundas sobre o violão clássico, rock, pedagogia musical e muito mais. Com 18 posts ao longo do ano, mergulhamos na nossa trajetória, lançamos podcasts, exploramos técnicas e histórias relacionadas aos mestres de nosso instrumento, debatemos colecionismo e até o papel das IAs na música. Cada publicação foi um capítulo dessa comemoração, reforçando por que o The Tao of the Guitar segue vivo e pulsante após duas décadas. Vamos reviver os highlights mês a mês:

Janeiro: O Pontapé da Festa (5 posts). Começamos com tudo!

- 20 anos do nosso blog The Tao of the Guitar!!!: Abertura triunfal com o lançamento do João Paulo Pessoa Podcast no YouTube Music – episódio inaugural sobre trajetórias musicais, do rock ao violão clássico.

- Laboratório Psicodélico – Uma banda recifense dos anos 90: Resgate nostálgico de uma pérola local do psicodelia.

- Discos para ouvir – por João Paulo Pessoa: Lista essencial de álbuns imperdíveis, agora no Spotify também.

- "No novo tempo...": Reflexões poéticas sobre renovação musical.

- João Paulo Pessoa Podcast agora no Spotify também: Expansão do podcast pra nova plataforma – acessibilidade total!


Fevereiro: Raízes e Mestres (3 posts). Memórias vivas dos 20 anos.

- Aniversário de 30 anos do CD do Cruor: Homenagem ao metal recifense que moldou caminhos iniciais.

- Integrais de Edelton Gloeden – O nosso maior violinista: Celebração do gênio brasileiro em integrais completas.

- Open Frets Guitar de Katalin Koltai – Uma obra singular: Exploração de técnicas inovadoras na guitarra.


Maio: Reflexões Digitais (1 post). Pausa estratégica nos 20 anos.

- Desativando Instagram e Facebook: Debate honesto sobre detox das redes e foco no essencial.


Junho: Pedagogia e Inovação (4 posts). 2025 brilhou na didática!

- Um pequeno exemplo do uso de IAs em música: Como inteligências artificiais revolucionam estudos musicais.

- O final brilhante – Influências: Análise de finais magistrais em peças clássicas.

- O violão segundo Carlevaro – Técnica: Lições eternas do mestre uruguaio.

- Modelos de diário de estudos para violonistas: Ferramentas práticas pra prática diária.


Julho: Prática e Escuta (3 posts). Foco na essência dos 20 anos.

- On Practicing – Ricardo Iznaola (tradução): Tradução exclusiva sobre a arte de praticar.

- A arte de ouvir música – Reflexões: Como elevar a escuta ativa.

- Além do streaming – O colecionismo de discos: Defesa apaixonada dos CDs físicos.

Agosto: Retorno às Raízes (1 post). Recarregando as energias.

- De volta às nossas reflexões aqui no blog: Reinício reflexivo pós-pausa.

Setembro: Convite aos 20 Anos (1 post). Fechando com chave de ouro.

- 20 anos do Tao of Guitar e um convite: Chamado pros leitores continuarem a jornada.

2025 foi um ano realmente marcante em nossos 20 anos de história: revivemos o passado (rock recifense, mestres como Carlevaro e Iznaola), inovamos com podcasts e IAs, e reafirmamos o blog como um refúgio para sonhos e reflexões. 
Bons estudos e um 2026 repleto de música!

Grande abraço,
João Paulo Pessoa
The Tao of the Guitar – Desde 2005



Nota: Esse texto foi produzido com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity. 

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

20 anos do "The Tao of the Guitar" e um convite para uma imersão na música de Paul Galbraith


Neste ano comemoramos 20 anos de existência do blog The Tao of the Guitar! Desde 2005, temos compartilhado com nossos leitores uma diversidade de conteúdos: dicas de leitura, indicações de materiais técnicos, relatos de experiências musicais, análises, fotos, poesias e diversas abstrações sobre a arte de fazer música ao violão. Convidamos todos a navegar pelas postagens antigas e descobrir esse rico acervo, que é fruto de uma caminhada constante de aprendizado e reflexão.

O nome do nosso blog traduz um ideal: unir o estudo técnico e artístico do violão a uma ideia mais profunda de caminho — um caminho espiritual, uma ferramenta de autoconhecimento. É essa perspectiva que buscamos cultivar, tanto na prática do instrumento quanto na vivência pessoal. E é justamente nesse espírito que queremos falar hoje da música de Paul Galbraith, um artista cuja arte ressoa profundamente com os valores musicais, artísticos, estéticos, filosóficos e espirituais que defendemos em nosso espaço.

Paul Galbraith é um violonista renomado, com uma trajetória brilhante. Sua música, seus discos e sua técnica única, aliada a seu violão de 8 cordas e sua postura viosionária, nos encantam e inspiram. A delicadeza, a precisão e a profundidade com que ele aborda o repertório são um convite a um mergulho profundo na música.

Em 2010, tive a oportunidade singular de participar de uma masterclass com Paul Galbraith durante um importante festival internacional de violão. Fui selecionado entre poucos alunos para ter esse contato direto com ele, uma experiência transformadora que já relatamos em um texto aqui no blog, que recomendo a todos lerem, pois traz detalhes e insights valiosos:

 https://thetaooftheguitar.blogspot.com/2010/03/vi-fenavipi-masterclass-com-paul.html 


Para mim, esse contato pessoal foi decisivo para aprofundar minha conexão com sua arte.


Quanto ao disco Sonatas e Partitas, lançado em 1998, só tive acesso alguns anos depois, provavelmente após 2005. Naquela época, antes da consolidação dos serviços de streaming no Brasil, dependíamos de amigos, professores e do compartilhamento de arquivos para descobrir gravações de grandes músicos. Lembro claramente da impressão ao ouvir as gravações em mp3 deste disco, que não saía da memória do meu player digital. Curiosamente, mesmo tendo hoje o CD físico em mãos, o disco continua comigo no mp3 player — um sinal da importância e da intimidade que ele conquistou em minha vida musical.

Logo nas primeiras audições, mesmo sem acesso ao encarte, a detalhes ou às ideias interpretativas de Galbraith, percebi intuitivamente várias nuances que depois confirmei ao ler o texto do próprio artista. Uma delas é a sensação de que as Sonatas e Partitas formam um conjunto único, uma verdadeira "suíte de suítes". Um dos elementos que mais me chamou atenção foi a aparente "unidade de pulso" entre as faixas, que imprime ao disco um caráter reflexivo e hipnótico. É um verdadeiro refúgio para a alma, uma imersão onde o ouvinte se funde com o violonista e seu som.

O disco é dividido em dois CDs: no primeiro, temos as Sonatas 1 e 2 e a Partita 1; no segundo, as Partitas 2 e 3 e a Sonata 3. Sinto que o primeiro disco representa uma peregrinação, uma caminhada que sai de um ponto e determina um destino certo. Esse destino, sem dúvidas, é alcançado no começo do segundo disco, com a emblemática Partita nº 2, especialmente sua Chaconne. A Sonata 3 e a Partita 3, por sua vez, me parecem simbolizar o retorno — uma verdadeira viagem espiritual.

Um ponto técnico interessante a mencionar é a escolha das tonalidades no disco: apenas as Partitas 1 e 3 mantêm as tonalidades originais. A Partita nº 2, BWV 1004, que normalmente se toca em ré menor, é aqui apresentada por Galbraith em mi menor, causando um certo estranhamento. Essa escolha pode estar relacionada ao seu violão de 8 cordas, conhecido como Brahms-Guitar, que provoca adaptações próprias. Mas, ao refletir, percebemos que mudar tonalidades em obras de Bach ao adaptá-las para outros instrumentos é uma prática comum — as famosas Suites para violoncelo, por exemplo, raramente são executadas satisfatoriamente no violão na tonalidade original. O próprio Bach recorria a esse recurso ao adaptar suas obras e de seus contemporâneos para outros instrumentos. Assim, essas decisões se tornam plenamente compreensíveis.

Gostaria de avisar ao leitor que, logo abaixo, está a tradução para o português do texto do encarte do CD "Sonatas and Partitas" de Paul Galbraith. Ressalto que o objetivo dessa tradução é puramente pedagógico: facilitar o acesso de alunos e leitores ao conteúdo rico que acompanha a música, já que na maioria das plataformas de streaming ele não está disponível. Escutar o disco com o encarte em mãos é uma experiência muito mais completa e enriquecedora.

Um link para ouvir o disco em um serviço de streaming será deixado ao final da tradução. Mas esse disco é bastante difundido e, atualmente, pode ser encontrado facilmente nas principais plataformas de streaming musical.





Tradução do encarte "Sonatas and Partitas" - Paul Galbraith


"

Dedicado a George Hadjinikos, grande músico e professor, em seu 75º ano.

P.G. ... 


Já em 1958, Julian Bream publicou um artigo na Guitar Review dizendo que as Seis Sonatas e Partitas para violino eram ideais para o violão, como se tivessem sido escritas para esse instrumento. O próprio conceito fluido de Bach sobre a intercambialidade possível entre instrumentos nestas obras pode ser claramente visto pelo fato de que a Terceira Partita para violino existe em uma versão original para alaúde (BWV 1006A), e que a Segunda Sonata para violino também existe em uma versão para teclado.

Para minha própria transcrição das Sonatas e Partitas — ou “6 Solo”, como Bach chamou — me apoiei nas próprias transcrições de Bach, assim como na adaptação para alaúde contemporânea da Fuga da Sonata I e na maravilhosa versão para piano de Brahms da Chacona para apenas a mão esquerda. Para as demais obras, tratei os arranjos conforme as exigências da música, pois a textura da escrita varia consideravelmente. Para mim, essa variação de textura foi intencional por parte de Bach para proporcionar diversidade e contraste. Assim, houve momentos em que senti que era vital não adicionar nada em movimentos de linha única. Os Doubles na Partita I, por exemplo, sugerem uma textura polifônica rica principalmente por uma supressão consciente de “preenchimento”. Mas também há ocasiões em que a música parece exigir uma realização mais cheia, e aqui fiz pleno uso da extensão do alaúde barroco do meu violão de 8 cordas.

Bach escreveu o conjunto alternando as formas: Sonata I, Partita I, Sonata II, Partita II, Sonata III, Partita III. Algumas leituras agruparam as três Sonatas juntas e as três Partitas separadamente. Não que essas versões não funcionem! Mas era um sonho meu há algum tempo poder tocar o “6 Solo” da forma como foi composto, pois tinha uma forte intuição de que foi concebido como uma única peça, como uma “suíte de suítes”. Foi com o desenvolvimento do meu novo violão de 8 cordas em 1994 que encontrei uma forma de executar essa música “de uma vez só”, já que as cordas extras aguda e grave permitiram manter a mesma afinação durante toda a peça. Enquanto a estudava neste instrumento e a apresentava ao longo dos anos, comecei a perceber as interconexões dentro da música.

Agora estou convencido de que um fio temático percorre a obra, e que suas origens estão em um Urtema (tema raiz), que é o tema da Fuga da Sonata III. Esse Urtema é ele mesmo uma variação do “Come Holy Ghost”, um hino popular da época que simboliza a Ressurreição de Cristo. O uso desse tema da Ressurreição no final de uma obra longa — que se poderia chamar épica — de Bach, que personificou a visão de Lutero da “teologia através da música”, sugere fortemente uma narrativa ao estilo bíblico. Minha impressão pessoal é que o “6 Solo” é uma história gospel instrumental em forma de tríptico, contando o Nascimento, a Paixão e a Ressurreição de Cristo.

Aqui estão algumas pistas para essa narrativa conforme a vejo:

Após a introdução declamatória do Adagio de abertura, Bach nos dá uma fuga que lembra muito sua fuga “Unto Us a Child Is Born” da Cantata 42. O Siciliano que segue é a canção de ninar perfeita, como as do Oratório de Natal. Para mim, a Partita I traz a própria voz de Cristo (aqui em um tom agudo contrastante) em Si menor, a tonalidade mais pessoal de Bach.

A música da Paixão começa com o Grave da Sonata II, onde o baixo descendente simboliza a partida do mundo. Esse motivo, que vem diretamente do contorno descendente do tema da Ressurreição, é intensificado pelo seu uso como linha de baixo durante toda a Partita II, culminando nas variações contínuas que constituem a Chacona, uma das obras-primas incontestáveis e insondáveis de Bach (e da música em geral). A Chacona chega a um momento crucial no “6 Solo”: a “Seção Áurea”, na verdade, da teoria arquitetônica grega antiga.

O fato de a Chacona espelhar a estrutura geral do “6 Solo” em sua forma tríptica assim como em seus 32 segmentos (o “6 Solo” tem 32 movimentos) — e de que em seu manuscrito Bach a liga sem pausa ao Adagio de abertura da Sonata III seguinte — parece mais uma evidência da unidade geral do conjunto.

Esse Adagio parece emergir da sombra da Chacona, oscilando no seu andar laborioso entre uma nova tonalidade prometida e a tonalidade anterior, ainda lembrada, da Chacona. O ritmo pontilhado, geralmente simbólico (na música antiga) do sofrimento, aparentemente carrega um peso pesado e sugere para mim a imagem clara do “Caminho da Cruz”. Há até três dramáticas “quedas” cadenciais antes de finalmente chegarmos à cadência maior tônica, que até então nos foi negada (na verdade, não temos certeza durante todo o movimento em qual tonalidade estamos até essa cadência final).

Além disso, toda a obra até agora esteve quase totalmente no modo menor (as exceções são os dois movimentos lentos das Sonatas I e II). Então, esta é a primeira vez que Bach nos dá uma sensação real de modo maior, e na sequência vem o tema da Ressurreição. O modo maior que foi tão esperado e finalmente liberado nos conduz com uma exuberância alegre até o fim do “6 Solo”. Bach corona a obra com algumas das músicas mais felizes que já escreveu. De fato, Bach, em sua Cantata 29, colocou as palavras “We Thank Thee, God, We Thank Thee” (Agradecemos a Ti, Deus, Agradecemos a Ti) no Prelúdio da Partita III.

Paul Galbraith ... Paul Galbraith ganhou reconhecimento público pela primeira vez na Grã-Bretanha quando, aos 17 anos, sua performance no Concurso Internacional de Guitarra Segovia lhe rendeu a Medalha de Prata. Segovia, que estava presente no concurso, chamou sua performance de “magnífica”. No ano seguinte, ele ganhou o prêmio Jovem Músico do Ano da BBC na televisão.

Esses prêmios ajudaram a lançar sua carreira internacional, incluindo apresentações com algumas das melhores orquestras da Grã-Bretanha e Europa (entre elas, Royal Philharmonic, Chamber Orchestra of Europe, BBC Philharmonic, Scottish Symphony Orchestra, English Chamber Orchestra, BBC Scottish Orchestra, Scottish Baroque Orchestra, Ulster Orchestra, Hallé Orchestra e Scottish Chamber Orchestra). Turnês de concerto o levaram a EUA, Canadá, Espanha, Itália, Grécia, República Tcheca, Noruega, Hungria, Brasil, China, Índia e Islândia. Desde 1983, Galbraith estuda com o maestro e pianista grego George Hadjinikos.

A posição única de tocar de Galbraith foi revelada pela primeira vez no Festival de Edimburgo em 1989. Seu violão é suportado por um espigão metálico (semelhante ao de um violoncelo) que repousa sobre uma caixa de ressonância de madeira. O instrumento em si foi projetado por Galbraith em colaboração com o renomado construtor David Rubio. As oito cordas e o design extraordinário deste violão aumentam efetivamente o alcance e as possibilidades do instrumento a um nível nunca antes possível.

As seis cordas padrão são “circundadas” por duas cordas extras, uma mais aguda e outra mais grave, estendendo o alcance para ambos os lados. Isso normalmente seria impossível com comprimento fixo das cordas. Contudo, esse problema foi resolvido variando o comprimento da corda em uma ponte inclinada, uma ideia inspirada no instrumento renascentista “Orphereon” ... que usava esse sistema único (único, isto é, para instrumentos com trastes, já que a harpa e todos os instrumentos de teclado têm comprimentos variados de cordas). O alcance do instrumento permitiu a Galbraith fazer transcrições de obras de compositores não usualmente associados ao violão, como Haydn, Schubert e Brahms.


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Em 1995, Galbraith fez a estreia mundial da sua transcrição completa das sonatas e partitas solo para violino de Bach no Festival Bach da Filadélfia, e em 1996 as apresentou no Festival de Edimburgo. A BBC TV escolheu filmar este concerto e transmitiu parte dele na Grã-Bretanha como um dos destaques do festival. Em agosto de 1996, seu CD com obras de Brahms e outros compositores foi eleito “Melhor do Mês” pela BBC Radio.


(Críticas sobre o disco e sobreo o violonista em publicações especializadas)

“As viagens longas para ouvi-lo valem a pena.” The Guardian

“Execução de brilho impressionante... Sua técnica é de tirar o fôlego, mas nunca mais importante que a própria música. Seu Bach é profundamente sentido, e sua técnica permite que esses sentimentos nos cheguem com uma maravilhosa facilidade.” The Scotsman

“O melhor guitarrista da sua geração.” Classical Guitar

“O que muitos queriam ver e ouvir foi a mudança revolucionária que ele trouxe para tocar violão... os resultados foram verdadeiramente notáveis, com uma clareza incrível e uma enorme variedade dinâmica que nunca tinha ouvido em qualquer guitarrista antes. O público ficou hipnotizado.” The Times de Londres

“Ele não só dominou tecnicamente seu instrumento, mas tem a capacidade de acessar seus mistérios internos.” Classical Guitar Magazine

“Galbraith conquistou uma façanha considerável ao transcrever e decorar as seis Sonatas e Partitas solo de Bach, e as tocou com um real sentido de comunicar algo na música, e não apenas uma virtuosidade técnica... um aumento delicioso de sonoridade instrumental e cor fez este concerto uma experiência prazerosa. Tanto Galbraith quanto seu instrumento têm potencial para fazer coisas notáveis.” Glasgow Herald

“A performance de Galbraith é cativante do início ao fim.” Classic CD

“Na terça-feira à noite, no Grande Salão, me encantei com a combinação de artista, instrumento e música. Pianíssimos de delicadeza extrema contrastavam com momentos de poder quase assombroso. Nunca ouvi ninguém tocar assim. Galbraith parecia ter transcendendo a técnica e estabelecido uma conexão pessoal com uma fonte interior, permitindo que a música comunicasse de forma surpreendentemente direta. Tudo soava como uma obra-prima naquela noite.” Classical Guitar

“Paul Galbraith tem algo próximo do gênio.” Classical Music

“Ele produziu música de cor, riqueza e virtuosismo incomuns.” Philadelphia Inquirer

“Sua musicalidade é tão ‘autêntica’ que cada nota traz a marca da verdade e as noções acadêmicas de erudição tornaram-se supérfluas. Ele manteve o público em silêncio extasiado, como hipnotizado por algum mágico.” The Scotsman


Informações sobre Paul Galbraith e seu violão: www.paulgalbraith.com


Produtores Executivos: Amelia S. Haygood, Carol Rosenberger

Produtor de Gravação: Ramiro Belgardt

Engenheiros de Gravação: John Eargle, Jeff Mee

Edição: Ramiro Belgardt, Peter S. Myles

Associados de Produção: Phyllis Bernard, Catharine Jaap

Gravado em 1, 2, 4, 5 de setembro de 1997; 19 a 21 de janeiro de 1998

Primeira Igreja Congregacional, Los Angeles

Processamento Digital 20-bit: Prism AD-1

Edição Digital: Sonic Solutions

Monitores de Som

Gravação: Genelec 1030A

Pós-produção: JBL 250Ti

Microfones: Sennheiser MKH-20, AKG C480/CK-61ULS

Console: Soundcraft Spirit Folio

Construtor do violão: David Rubio, Cambridge, Inglaterra

Fotos da capa e contracapa: Harry J. Pack

Direção Criativa: Harry Pack, Tri-Arts and Associates

Gráficos: Mark Evans

Agradecimentos Especiais

Lisa Sapinkopf, Lisa Sapinkopf Artists, Berkeley, Califórnia

Antonio Tessarim, luthier brasileiro, por sua bela caixa de ressonância


© 1998 Delos Productions, Inc., Santa Monica, Califórnia, EUA

Impressão e montagem nos EUA

(Fim do encarte)




Link para o ouvir o álbum "Sonatas and Partitas" de Paul Galbraith no Youtube Music:

https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_mB1s9VLzwAiGbfwY_8O2aoNKLzpYRfjTs&si=pcEqeHhg6kaNR2eF


Esse é um convite para mergulhar fundo não só na música, mas nas histórias, técnicas e contemplações que ela pode despertar. Que a arte de Paul Galbraith amplie sua jornada musical e espiritual. E que o The Tao of the Guitar continue sendo um ponto de encontro para quem busca unir técnica, expressão e autoconhecimento através do violão.


Grande abraço e ótimos estudos.

João Paulo Pessoa.

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Nota: Esse texto (e a tradução apresentada) foram produzidos com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity. 

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"

(https://www.perplexity.ai/)

domingo, 17 de agosto de 2025

Conexões Virtuais: Caminhos e Equilíbrios para o Artista-Professor




 Olá.

De volta às nossas reflexões aqui no blog.

O tema de hoje:

Por que é importante reconsiderar o retorno às redes sociais, especialmente quando pensamos na divulgação de nossas atividades artísticas, pedagógicas e musicais.

Após um período desligado do Instagram e do Facebook — motivado pelos efeitos negativos da “rolagem infinita”, que já discutimos em outro post aqui do blog (https://thetaooftheguitar.blogspot.com/2025/05/desativando-instagram-e-facebook.html) — percebi a importância de avaliar com atenção o papel dessas plataformas em nossa vida profissional.


Afinal, por que voltar?

Em um mundo digitalizado, as redes sociais tornaram-se ferramentas úteis, de fato (não sei se indispensáveis), para artistas, professores e músicos divulgarem seu trabalho, conectarem-se com novos públicos e compartilharem conhecimento. A instantaneidade, a visibilidade e o alcance que Instagram e Facebook oferecem muitas vezes são incomparáveis. Por meio dessas redes, conseguimos:

- Apresentar nossas produções musicais para pessoas além do nosso círculo imediato;

- Compartilhar eventos, aulas, concertos e novidades em tempo real;

- Trocar ideias, receber feedback e criar colaborações com outros artistas e educadores;

- Inspirar e ser inspirado pela diversidade de trabalhos na área musical e pedagógica.

Inclusive, muitos dos contatos profissionais e parcerias relevantes surgem justamente dessas plataformas, dando voz e espaço para quem, fora do universo digital, talvez demorasse muito mais para conquistar visibilidade. 

No entanto, não podemos ignorar a outra face da moeda: o retorno exige cuidado.

Precauções ao retornar 

Ao retomar a atividade nessas redes, precisamos estar alertas para os perigos da rolagem infinita e de outros impactos negativos, como detalhado no primeiro artigo:

- Desregulação da dopamina e vício em recompensas instantâneas, que prejudicam o foco em nossas práticas artísticas e estudos;

- Fragmentação da atenção por excesso de estímulos curtos e desconexos;

- Aumento da ansiedade e comparação constante, que podem minar nossa autoestima;

- Fadiga mental e problemas de sono, prejudicando nosso desempenho musical;

- Infotoxicação, sobrecarga de informações e dificuldade de filtrar o que realmente é relevante.


Portanto, o segredo é encontrar equilíbrio: usar essas ferramentas conscientemente, sempre priorizando qualidade de produção e divulgação, mas sem cair na armadilha do consumo desenfreado de conteúdo e “rolagem sem fim”.

O que pode ajudar:

- Estabeleça limites de tempo para navegar nas redes;

- Prefira postar com propósito e interagir com perfis e comunidades afins;

- Foque mais no compartilhamento do seu processo criativo e pedagógico;

- Faça pausas frequentes e procure não acessar as redes antes de dormir;

- Não se esqueça: as redes sociais são ferramentas, não um fim em si mesmas.


Retomar as redes pode, sim, fortalecer nossa atividade artística e pedagógica. Mas que seja sempre com olhar crítico e consciente para não sacrificar saúde mental e foco no nosso verdadeiro objetivo: a música e o desenvolvimento pessoal e coletivo.


Panorama dos nossos canais e perfis

Para quem deseja acompanhar de perto minha jornada musical e pedagógica, meus canais digitais estão abertos para troca e divulgação:

- No Instagram, meu perfil pessoal @jpguitar999 traz registros do meu dia a dia musical, dicas e interações com seguidores apaixonados pela música (além de outros interesses, como café, bicicletas, skates para surfar, livros, discos, games, consoles, vinhos, HQs, filmes, etc...);

https://www.instagram.com/jpguitar999/

- No Facebook, além do perfil pessoal jpguitar999, que funciona como ponto de contato mais direto e pessoal, temos também a página JPPGuitar, voltada especialmente para divulgação de eventos, novidades e conteúdos musicais e pedagógicos, que recebe seguidores interessados no universo do violão e da música em geral;

https://www.facebook.com/jpguitar999/

https://www.facebook.com/jppguitar/

Nosso canal no YouTube, @jpguitar999, é um espaço criado para compartilhar conteúdos dedicados ao aprendizado e à inspiração musical.

https://www.youtube.com/@jpguitar999

Esses canais são excelentes ferramentas para unir divulgação e conexão com o público, desde que usados com consciência para evitar as armadilhas das redes sociais.

Antes de dar aquela "conferida" hoje em seu Instagram e/ou Facebook, lembre-se:

USE, MAS NÃO SE DEIXE USAR PELA ROLAGEM INFINITA!

😉🙏

E pra finalizar nosso post de hoje, mais um "Álbum incrível do dia":


https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kmTqqMbIHGdLMbAJ6YN-rxwgkMH2CP540&si=ArrGFgxdGbAtr8af


Grande abraço e ótimos estudos.

JPP.

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Nota: Esse texto foi produzido com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"

(https://www.perplexity.ai/)

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Além do Streaming: O colecionismo de discos como caminho para uma escuta mais profunda.

 



O The Tao of the Guitar faz 20 anos!

É com enorme alegria que celebramos  — em 2025 — duas décadas de existência do nosso blog The Tao of the Guitar

Desde 2005, dedico este espaço a compartilhar ideias, descobertas e paixões ligadas à arte de fazer música com o violão e à compreensão mais profunda daquilo que nos move enquanto músicos, ouvintes e, sobretudo, aprendizes.

Hoje iremos abordar um tema fundamental para o desenvolvimento artístico e intelectual de quem se dedica à música clássica: a importância do colecionismo de discos — especialmente CDs — para estudantes e ouvintes desse universo.


Muito além do streaming: por que colecionar discos importa

Vivemos a era do streaming, da abundância e do acesso instantâneo. No entanto, para quem busca formação musical sólida, especialmente na música clássica, a experiência do contato direto com discos revela riquezas que nenhuma plataforma digital consegue substituir.


Os encartes: aprendizado na palma da mão

Lembro com viva nitidez do quanto aprendi lendo encartes de CDs e LPs na minha juventude. Eles não são apenas complementos: trazem análises de obras, histórias dos intérpretes, detalhes sobre gravações — um rico material pedagógico, fundamental para quem quer ir além da escuta passiva e se embrenhar nos contextos histórico, estilístico e interpretativo das músicas estudadas.


A materialidade: foco, inspiração e concentração

Existe um poder inspirador inegável no objeto palpável. O simples fato de pegar um CD, apreciar a arte gráfica, folhear o encarte e posicionar o disco no player transforma a escuta em ritual: aumenta o foco, aprofunda a concentração e promove uma escuta ativa plenamente imersiva, muito diferente da relação fugaz e dispersa que, por vezes, temos ao ouvir música em meio a múltiplas distrações digitais.


Organização e pesquisa: a experiência do colecionador

O colecionismo permite construir uma biblioteca auditiva personalizada. Ao organizar minha estante por compositores, intérpretes ou escolas interpretativas, consigo visualizar relações, tradições e evoluções musicais de modo que nenhum serviço de streaming proporciona. Em música clássica isso é essencial: dificilmente playlists digitais respeitam movimentos de sonatas, sinfonias, suítes — e, para o entendimento do todo, ouvir essas obras de forma integral faz toda diferença.


Qualidade de som: o CD reina absoluto (ao lado do bom vinil)

Para quem exige qualidade sonora — dinâmica, silêncio, transparência —, nada supera o CD, sobretudo em comparação com arquivos comprimidos do streaming. Vinil também ocupa um lugar histórico e afetivo, mas o CD traz praticidade, baixíssimo ruído e precisão, fatores decisivos em repertórios com nuances detalhadas, como a música de câmara, as gravações históricas ou as gravações de instrumentos solo (Violão, Alaúde, Piano, Cravo etc ... ou mesmo instrumentos de corda friccionada tocando obras solo como as Suites para Celo de Bach , por exemplo).


O papel de plataformas como Discogs — e a compra online

Hoje, comprar CDs novos tornou-se tarefa quase exclusivamente digital. Lojas físicas rarearam, mas a Amazon, Imusic e outras plataformas viabilizam que continuemos a alimentar nossas coleções. E, para raridades, edições especialíssimas ou pesquisa minuciosa de informações técnicas e históricas, o Discogs é fonte indispensável: ali catalogo parte da minha coleção, Sigo aprendendo nos fóruns e, por vezes, adquiro discos de outros apaixonados mundo afora.


Entendendo discografias: pesquisa e trajetória interpretativa

Para o estudante de música clássica, mapear discografias de intérpretes é fonte de descobertas inesgotáveis. Como mostra o trabalho do professor Sidney Molina, “O Violão na Era do Disco: interpretação e desleitura na arte de Julian Bream”, muito do repertório do violão e de outros instrumentos se construiu pelas gravações — conhecer as diferentes leituras de uma mesma obra é uma das maiores aventuras do ouvinte atento, trazendo ensinamentos que vão (muito) além das partituras.


Por que abandonar o colecionismo empobrece o ouvinte clássico

A cultura do colecionismo preserva história, memória afetiva, profundidade intelectual. Quem ignora completamente esse universo tende a perder a chance de explorar abordagens interpretativas, trajetórias editoriais, partituras raras, encartes informativos — e, acima de tudo, abdica de uma relação mais íntima e comprometida com o ato de ouvir música.


Minha história com discos: entre memórias e redescobertas

Sou uma criança dos anos 70. Cresci em uma casa inundada por discos — vinil, fitas K7 (originais e gravadas), fitas de rolo e, a partir dos anos 80, os ainda raros e caríssimos CDs. Meu pai era fã inveterado de ópera, jazz, música de câmara, orquestra, MPB — e audiófilo de primeira: nossa sala guardava um sistema HI-FI lendário, com um receiver Sansui quadrifônico, toca-discos Philips, tape-deck AKAI, gravador de rolo ("Reel to Reel") AKAI e, depois (nos anos 80), um CD player Sony que tocava, entre outros, as sinfonias de Beethoven em edições japonesas (ainda vivas em minha coleção).

Nota: as imagens a seguir são apenas ilustrativas.






A trilha sonora da casa transitava pelos universos mais plurais: música antiga, frevo, música francesa, folclores do mundo, violão solo, e por influência dos meus irmãos, rock dos anos 70 como Pink Floyd, Led Zeppelin, Beatles e Stones. Eram tempos de descobertas e aprendizado coletivo em família.

E tinha também o aprendizado com os amigos e com as famílias de amigos próximos. Meus grandes amigos de infância Alain Guerra e Mathias Anguita Echiburu foram importantíssimos nesse sentido em minha formação musical. Muito dos meus gostos por rock dos anos 70 se deram também por causa deles. O tio de Alain ("Tio Dido") tinha uma coleção imensa de discos com materiais que eram completamente inacessíveis pra nós na época... "Dido" era generoso o suficiente pra deixar as crianças ouvirem. Devo muito a esses dois grandes amigos e às suas famílias. Não consigo mensurar o quanto aprendemos juntos ouvindo tantos discos e investigando minuciosamente as capas e encartes daquela coleção incrível. É uma memória que sempre inunda de gratidão o meu coração.

No final dos anos 80, após a perda do meu pai, os vinis e a era do HI-FI começaram a desaparecer lá em casa. Boa parte dos equipamentos foi se desfazendo aos poucos — era a ascensão do Walkman, do Discman, daqueles Boombox nem sempre agradáveis — e o ritual de comprar vinil já não tinha o mesmo encanto para nós. Mesmo assim, os discos mais importantes permaneceram protegidos, quase como relíquias familiares, e ninguém tinha coragem de abrir mão de algo tão significativo. Aos poucos, fui adquirindo CDs nos anos 90 e 2000, mas não me via como colecionador: eu simplesmente queria ouvir música, fosse nos grandes “bolachões” ou nos compactos CDs, sempre atento aos encartes, que eu adorava folhear.

Quando a internet chegou de vez no meu dia a dia, já nos anos 2000, fiquei fascinado pela possibilidade de baixar música com softwares nada ortodoxos (alguns deles usavam tapa-olho, tinham mão de gancho, perna de pau e bebiam rum) — foi a fase do E-Mule, com HDs abarrotados de álbuns, discografias inteiras e encartes digitalizados. Isso expandiu meu universo musical enormemente, até porque os próprios professores da universidade incentivavam a ouvir de tudo. Durante esse período importante, aprendi muito apenas explorando aquele oceano musical digital. Depois vieram os smartphones e o streaming, que no início me entusiasmaram, mas, (um pouco mais tarde) quando eu já era um professor, fui me dando conta do que estávamos deixando para trás ao abandonar o contato físico com os álbuns. Uma saudade dos discos começou a crescer, uma vontade de retomar aquela relação tátil e concentrada com a música.

Foi então que resolvi remontar um sistema HI-FI e reestruturar minha coleção de discos. Alguns discos de vinil, e, também, alguns CDs haviam sobrevivido apenas como lembranças da infância e juventude; cuidei deles, limpei cada peça e voltei a comprar novos discos, percebendo, agora com mais consciência, que meu formato preferido é mesmo o CD — prático, eficiente e perfeito para música clássica. Meu sistema HI-FI atualmente é enxuto e funcional: um par de monitores Edifier S-1000 MKII, notebook com interface Scarlet 1818, um DAC/Preamp Fiio, CD Player TEAC CD-P650, toca-discos Audio-Technica LP-120 e fone Audio-Technica ATH M50x. Aprender sobre DAC, Toslink e tantos detalhes técnicos me fez enxergar de vez o potencial impressionante do CD, especialmente quando o equipamento corresponde. Com certeza, meu Sistema atual não é um grande sistema como o que meu pai tinha nos anos 70 ... mas tenho, como meu equipamento, um som muito mais preciso de CDs, algo que eu não sonhava ser possível. O uso dos DACs dedicados para CDs e as diferentes maneiras de conversão do sinal, abriram portas oníricas pra audição das mini-bolachinhas prateadas; além do acesso ao streaming, claro (sim, eu uso streaming também ... não seja radical). 

:)

Nota: as imagens a seguir são apenas ilustrativas.





Com o novo sistema montado, comecei realmente a me entender como colecionador — vendo nos discos um capítulo vivo do meu caminho musical. Passei a mergulhar ainda mais nas informações dos encartes, nas histórias dos intérpretes, nas curiosidades de selos e gravações. Aos poucos, comecei a compartilhar esse olhar com alunos e colegas no Conservatório Pernambucano de Música, sentindo que era fundamental alertar a todos sobre o valor da mídia física e do colecionismo, e sobre tudo o que se perde quando abandonamos isso sem reflexão.

Hoje, minha coleção tem cerca de 150 LPs e aproximadamente 1.100 CDs, sendo essa última parte ampliada por aquisições pessoais e, também, por doações generosas. Estes números são apenas uma especulação, pois realmente não fico contando. Compartilho esse amor pelo colecionismo de discos com alunos e colegas, sempre ressaltando: a mídia física é um refúgio para a alma, uma ponte entre o passado e o presente, entre o mundo material e o sonho, entre o afeto e a erudição musical.

Vou deixar aqui algumas fotos reais do meu atual Sistema HI-FI. São imagens descompromissadas e triviais do dia-a-dia de estudos e escutas ... por favor, não reparem a bagunça.

:)












O convite

Se você chegou até aqui, espero ter despertado a vontade de explorar mais o mundo dos discos — por aqui, em outros posts do The Tao of the Guitar, você encontra muitas indicações de álbuns essenciais para ouvir, mergulhar e aprender. E, para os curiosos, convido a visitar a parte da minha coleção que cataloguei no Discogs. Que esse blog continue sendo, por anos a fio, um ponto de encontro entre a paixão pelo violão, o amor pelos discos e a busca incessante pelo conhecimento musical.

Veja aqui minha página do Discogshttps://www.discogs.com/user/jpguitar

e o nosso álbum incrível de hoje:

Lang Lang - Bach: Goldberg Variations (Extended Edt.)


https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kxtLPf52mtVuboPQsZRc2d7giykhmGIjo&si=WeoWeWxe4OUHYPYX


Grande abraço musical.

Boas escutas e ótimos estudos.

[]

João Paulo Pessoa.

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Nota: Esse texto foi produzido com auxílio do "Mecanismo de busca com inteligência artificial e processamento avançado de linguagem natural" denominado Perplexity

"A Perplexity AI é um mecanismo de busca com IA que entende e responde perguntas com respostas completas"

(https://www.perplexity.ai/)