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sábado, 29 de março de 2008

Duas versões do encontro de Andrés Segovia com Heitor Villa-lobos.






Primeira versão, por Segovia:

"Dentre todos os convidados daquela noite, o que causou maior impressão ao entrar na sala foi Heitor Villa-Lobos...Quando terminei minha apresentação, Villa-lobos aproximou-se e disse: 'Também toco violão'. 'Maravilhoso', respondi. 'Então és capaz de compor diretamente para o instrumento'... Estendendo-me as mãos, pediu-me o violão. Sentou-se, atravessou-o nos joelhos e segurou-o firmemente de encontro ao peito, como se temesse que o instrumento lhe fugisse. Olhou severamente para os dedos da mão direita, como ameaçando-os de castigo por ferir erroneamente alguma corda. E quando menos se esperava, desferiu um acorde com tal força que deixei escapar um grito, pensando que o violão tinha se despedaçado. Ele deu uma gargalhada e com uma alegria infantil disse-me:'Espere, espere'...Apesar de sua incapacidade para continuar, os poucos compassos que tocou foram suficientes para revelar primeiro que aquele mau intérprete era um grande músico, pois os acordes que conseguiu produzir encerravam fascinantes dissonâncias, os fragmentos melódicos possuíam originalidade, os ritmos eram novos e incisivos e até a dedilhação era engenhosa...No calor desse sentimento nasceu entre nós uma sólida amizade"

Segunda versão: por Villa-lobos:

"Encontrei Segóvia em 23 ou 24, não me lembro bem, na casa de Olga Moraes Sarmento Nobre. Havia uma 'princesada' lá. Vi um moço de vasta cabeleira, rodeado de mulheres. Achei-o besta, pretensioso, apesar de simpático...Segóvia falou que achava minhas obras anti-violonisticas e que eu tinha usado recursos que não eram do instrumento. O Costa (amigo) falou: 'Pois é, Segóvia, o Villa-Lobos está aqui'. Eu fui logo me chegando e dizendo: 'Porque é que você acha minhas obras anti-violonisticas'? Ele, meio surpreso..explicou que por exemplo, o dedo mínimo direito não era usado no violão clássico. Eu perguntei: 'Ah, não se usa? Então corta fora, corta fora'! Segóvia ainda tentou rebater mas eu avancei e pedi: 'Me dá aqui seu violão, me dá'! O Segóvia não empresta o violão a ninguém e fez força. Mas não adiantou. Eu sentei, toquei e acabei com a festa.... No dia seguinte ele apareceu lá em casa com o Tomas Teran... Ele me encomendou um estudo para violão e , foi tão grande a amizade que nasceu entre nós que em vez de um eu fiz doze: Doze estudos para violão"


Texto extraido do livro de Marco Pereira - "Heitor Villa-Lobos e sua obra para violão".Musimed.1984

Curioso não?

:)

Assistam na seqüencia esses dois videos. No primeiro Segovia interpreta o Estudo No1 de Villa-lobos.
O segundo é um trecho de um pequeno documentário sobre o compositor em que o próprio aparece tocando violão.

divirtam-se!

grande abraço a todos e tudo de bom!





sexta-feira, 28 de março de 2008

Napoleon Coste - Duas Fotografias e Uma Pequena Biografia




Napoléon Coste nasceu em Amondans (Doubs), na França, perto de Besançon. Ele começou a tocar violão ainda criança por influencia de sua mãe. Quando adolescente tornou-se um professor do instrumento e apareceu em vários concertos no Franche Comté. Em 1829, com a idade de 24, ele mudou-se para Paris, onde estudou com Fernando Sor e rapidamente estabeleceu-se como o um virtuoso guitarrista. Contudo, a demanda por violonistas estava em declínio e, embora o seu brilho fosse notável teve problemas de estabilidade financeira. Ele não conseguiu encontrar um editor para sua música e tinha que financiar a publicação de suas próprias peças.

Coste quebrou o seu braço em 1863 em um acidente que levou o seu desempenho profissional a um fim prematuro. Ele contratou um assistente e continuou a ensinar guitarra e composição.

Napoléon Coste tinha um gosto especial por tocar em um violão de sete cordas. Ele morreu com 77 anos deixando uma grande catálogo de composições originais.

Estas informações foram extraídas de uma página em inglês do wikipedia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Paul O'Dette - Barroque guitar.

"Paul O'Dette performing works by Santiago de Murcia (1685-1732) on baroque guitar at the New York Guitar Festival's third biennial Guitar Marathon at the 92nd Street Y's Kaufman Auditorium."

Great!!!!!!!!



domingo, 2 de dezembro de 2007

Hsi-K’ang (223-262 d.C.) realiza um ensaio poético taoísta sobre o alaúde.


Ao seu juízo, nenhum outro instrumento exercia uma influência tão poderosa nos homens. Começa relatando a origem natural do alaúde: a madeira com que se constrói é de robustas árvores que crescem em elevadas montanhas, em harmonia com o solo e a Terra, com o Sol e a Lua. Em paisagens recônditas, elevam-se majestosas entre a neblina “espiritual” que flutua nas montanhas e se mesclam com as nuvens; em paisagens nos cumes das montanhas, visitadas pela ave fênix, permanecem quietas em passiva majestosidade, enquanto a brisa suave as deflora.

Essas árvores, rodeadas de um cenário sulcado por torrentes que se precipitam espumantes, e pedras de jade e jaspe de extáticas cores, são naturalmente espirituais e belas: por esta razão são adequadas para inspirar um profundo amor à música.

É nesses locais que os sábios se reúnem, fugindo do ruído mundano. Ali vagam e meditam, ali seus corações se enaltecem de nobres emoções. Desejando explorar seus mais fundos sentimentos, esses homens superiores escolheram a madeira dessas árvores para traçar o desenho do alaúde. Moldaram sua forma, decoraram-no com incrustações de marfim e chifre de rinoceronte, recamaram-no com belas pedras, puseram-lhe cordas de seda e chaves de jade. Com ele criaram canções e harmonizaram melodias e canto em enriquecidas formas harmoniosas. As notas do alaúde foram variadas e coloridas com plumas multicores de aves selvagens, produzidas por pulsações dançantes dos dedos dos sábios. Como a estrutura de construção do alaúde é harmoniosa, sua sonoridade também o é. Sua influência pode purificar o coração e o espírito, e influir na harmonia do Céu e da Terra.

Essa música supera todas as artes.

Não se consegue interpretar música magistral com as mãos, mas com o coração. A música não é gerada pelas diversas notas, mas pelo Tão que flui naturalmente; não quando se tenta “expressar” a música com urgência, mas quando se aquieta o espírito, que se funde com ela.

Existe uma série de regras para o uso do alaúde, que expõe a disposição nobre que deve ter um músico que aspire a interpretar a essência do Tão. Primeiramente, assinala Wu-ch’em (1249-1331), quando alguém toca o alaúde deve comportar-se como se achasse na presença de um superior, independente de que alguém esteja presente ou não. O espírito claro, a mente calma, o olhar tranqüilo e o pensamento sereno. Então, o tato dos dedos será correto e fluido e as cordas amplificarão o sentimento com simplicidade e serenidade, sem efeitos rebuscados que confundem as melodias.

O alaúde deve ser tocado ao se encontrar com alguém que entenda (“compreenda”) a música; ao se conhecer uma pessoa que mereça essa oferenda; para um taoísta em retiro; num salão espaçoso; depois de se ter subido a um alto pavilhão; num claustro taoísta, sentado sobre uma pedra; após ter subido uma montanha, descansando num vale; no barco; caminhando junto a um riacho; descansando num bosque à sombra; quando as duas essências da natureza são brilhantes e claras; quando há lua cheia e brisa fresca.

Não se deve tocar o alaúde quando há vento, trovões e tempo de chuva, quando há eclipses solares ou lunares; num tribunal; numa loja ou num mercado; para uma pessoa vulgar; para um bárbaro; para uma cortesã; para um mercador; depois de uma bebedeira; depois de fazer amor; com roupas desasseadas ou muito desalinhadas; congestionado ou suado; sem haver lavado corretamente as mãos e os dentes; em locais ruidosos.

Com o alaúde ou com qualquer instrumento que nos acompanhe, o ato musical deve se transformar num ato de amor.



obs: texto extraido do livro "O Tao da Música" de Carlos Fregtman (ed. Pensamento).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

http://www.guitarnation.com/

visitem. vale a pena!!!



em breve estarei postando aqui novamente!


gde abraço!

João Paulo.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Desiderata of the guitar


Go placidly into the practice room and remember what peace there may be in playing the guitar. As far as possible without surrender be on good terms with your guitar.
Keep your back straight and your posture relaxed. Move your body where it wants to go. Be like the deer and the leopard. They know nothing of follow-through's or sympathetic motions. They move effortlessly preferring to let the wind carry them.
Especially know that your fingers have their own secrets. Let them speak to you. Keep a quiet mind and listen to your body. Do not fight your body or you will kill its natural impulses. Do not impose your will on your fingers or you will subdue their talents.
Let your music speak for you. Do not try to impress your peers. Jealous persons intent on finding faults will find them.
Avoid loud vexatious persons who will tell you the secrets of life. The world is full of wise men who hide behind a wall of self-delusion. Listen to their playing and ignore their words. Words are cheap, advice is easy, but diligent practice is hard and great playing is rare.
Trust your judgment, do not follow the pack. Crowd hysteria exists in all quarters. Rather find your own space and believe in it. Follow your instincts for they will lead you to unexpected and delightful places.
Listen to every one and listen to no one. The great players and the not so great, they all have their stories. Listen to them and take with you what you need.
As you gain in wisdom, do not be afraid to share it. But realize that many have not traveled the same roads. Do not impose your wisdom on others, let them come to you.
Indulge in your music. Move with the rhythm, Let your melodies sing of the joys and sorrows of life. Play only those pieces which move you. Life is too short to spend on pieces which do not speak to you.
Therefore be at peace with your guitar, whatever you conceive it to be. Practice hard. Strive to be happy.
texto extraido do site: http://philiphii.com

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Zen Guitar



Estudar a arte cavalheiresca do violão é como a arte do arqueiro Zen: "Milhares de repetições, e a perfeição emerge a partir do nosso verdadeiro ser."

Não perca tempo!!! Vá treinar!

JP.

Algumas idéias do Romantismo.




Depois das grandes revoluções políticas, o século 19 foi o período da consolidação do regime democrático e da economia capitalista, na sua fase chamada de "imperialismo": a matéria-prima fluía continuamente para as indústrias européias, vinda dos recém independentes países sul-americanos, das colônias africanas e dos milenares países asiáticos (China, Índia e Japão, entre outros).
A rivalidade comercial na Europa foi aumentando e inúmeras guerras localizadas aconteceram. Duas delas consolidaram as unificações nacionais da Itália e da Alemanha. Também o movimento operário se organizou, através dos sindicatos e dos partidos políticos, conquistando, pacificamente ou não, vários direitos sociais até então negados pelas elites. A Ciência tornou-se a principal referência em matéria do conhecimento, desbancando a Filosofia e a Religião, e começou a influenciar o comportamento cotidiano das pessoas.
Nas Artes tivemos um desenvolvimento impressionante de tendências e correntes. As principais correntes literárias foram, na seqüência de surgimento: Romantismo, Realismo/Naturalismo e Parnasianismo, Simbolismo e as primeiras correntes modernistas. Nas Artes Visuais: Romantismo, Realismo, Impressionismo, Art Nouveau, Art Décor, Art Naif e as primeiras correntes modernistas.
A música foi batizada, genericamente e por comodidade, com o nome de "Romantismo". Entretanto esta denominação não expressa de maneira adequada a profunda transformação musical ocorrida nesta arte entre o final do século 18 e o século seguinte. E muitos historiadores já estão propondo redefinir esta nomenclatura para melhor explicitar as várias correntes musicais.
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O Romantismo filosófico-cultural surgiu quase simultaneamente na Inglaterra e na Alemanha no final do século 18. Este movimento era primeiramente uma reação política contra os ataques napoleônicos e, mais tarde, tornou-se uma revolta contra qualquer sujeição às regras sociais, religiosas, culturais e artísticas. Na França, depois de muita resistência, chegou por volta de 1810. E daí espalhou-se para o mundo.
As características desta estética foram:

- liberdade artística e técnica;
- liberação dos sentimentos pessoais (muitas vezes melancólicos) valorizando o "eu" (reflexo do individualismo da burguesia);
- nacionalismo;
- volta a uma Idade Média idealizada;
- exotismo;
- orientalismo;
- saudação ou temor pelo avanço da Ciência ;
- crítica ou fervor religioso;
- exaltação à Natureza em contraposição às convenções da civilização industrial;
- Nostalgia;
- Exaltação da infância como retorno a natureza.

Além disto, para os românticos, a Arte redimiria o ser humano. Os artistas, livres de qualquer herança dos estilos passados e da tutela aristocrática ou clerical, passaram a se submeter às leis do mercado e moldavam sua obra conforme suas expectativas e os seus anseios pessoais em relação à competição individual e ao impacto comercial que poderia causar num público disposto a pagar pela sua criatividade. Decorrem daí os clichês individualistas de que o Romantismo é a "arte confessionária", "arte da expressão pessoal", "arte das emoções e sentimentos puros", e os conceitos de "inspiração", "talento" e "gênio".
Forjada pelos livros de história - para deleite dos diletantes - e, também, pelos próprios artistas, a imagem que temos deles é que nasciam predestinados ou eram de outro mundo; tinham uma infância sofrida e pobre; viviam e morriam com o "mal do século"; estavam sempre ao luar com suas fervorosas amadas imortais; eram gênios incompreendidos; eram vítimas de intrigas e conspirações; ficavam frustrados, desesperados, pessimistas, chorosos e dengosos sem qualquer razão aparente; tinham quinze minutos de uma vasta aclamação pública, mas eram criticados áspera e atrozmente pelos insensíveis críticos da época; produziam cenas escandalosas ou ataques da mais pura loucura; diziam frases retumbantes de inspirada elevação filosófica, poética ou existencial; estavam alienados e não se importavam com nada; gastavam o dinheiro que tinham e o que não tinham e, finalmente, morriam na maior miséria, jovens e esquecidos injustamente, para ressuscitar, para a maior glória, algum tempo depois. Tudo isto é lenda, igual ao que se veicula nas revistas sobre astros do cinema e televisão hoje em dia. A realidade é que a arte, em qualquer momento, vive de um pouco de mistificação, mas é um trabalho e o resultado é fruto de estudos disciplinados e pesquisas cotidianas incessantes.

Bases Filosóficas.

Na segunda metade do século XVIII, entre 1760 e 1785, houve um movimento filosófico que prepararia o caminho para o Romantismo e repercutiria nas obras clássicas de Haydn e Mozart. Este movimento chamou-se Sturm und Drang. O culto à genialidade, a auto-afirmação, a revolta contra os “ditames da razão”, a busca da espontaneidade e da simplicidade na poesia e na música, a busca das raízes históricas nacionais, são todos elementos do Sturm und Drang e repercutiram ao longo de todo século XIX.
O caráter subjetivo da poesia baseada neste movimento filosófico, que aparece em grande parte no Lied poético, vem a ser bastante importante na criação do Lied musical. Como exemplo podemos citar poesias de Goethe, Claudius, Bürger, Lenz e Heder, que foram musicadas por Schubert.
Para a filosofia o ponto de partida do Romantismo foi a obra do autor Fichte, publicada em 1794 com o título Fundamento de Toda Teoria da Ciência. Suas idéias foram difundidas pelos irmãos Schlegel, considerados por muitos autores como os “fundadores do Romantismo”. Um dos traços mais marcantes deste novo movimento, o Romantismo, seria a busca por uma unidade e pela superação de todos os dualismos. O alvo final seria atingir o absoluto, deixando assim a natureza de ser um gigantesco mecanismo governado por leis naturais eternas. Aparece a idéia da evolução em base dialética. Tais idéias nos são apresentadas não só pelo citado autor Bruno Kiefer, mas também pelo especialista em filosofia do Romantismo Gerd Bornheim, e pelo autor Paulo Vizzioli, que escreveu o artigo “sentimento e razão na poesia do Romantismo”.
Estes conceitos e idéias filosóficas têm seus reflexos não só nas ciências, mas também nas artes deste período. A idéia da obtenção de um todo orgânico levaria Wagner mais tarde à busca de uma “arte total”.
Um outro aspecto a ser destacado no Romantismo, é a nostalgia. Sobre ela, temos a seguinte citação de Bornheim: “... a nostalgia não é um fenômeno primeiro do Romantismo. Primeiro é o sentido do infinito, do absoluto, interior à alma humana, condenada a sua finitude, e que se extravasa no romântico sob a forma de nostalgia”. Em seu texto Filosofia do Romantismo, Bornheim cita a autora Carolina Schlegel: “...devemos, algum dia nos tornar onipresentes, todos uns nos outros, sem contudo, sermos unidade. Pois unos não devemos nos tornar porque então o esforço para atingirmos à unidade cessaria”. Parece-nos que estas afirmações sintetizam o pensamento filosófico Romântico.
A música romântica está toda impregnada deste pensamento, desta nostalgia. Para os românticos, a arte deve desvelar a verdade do absoluto. Esta última não é outra senão a beleza. Por esta razão, o artista adquire no Romantismo uma posição singular de importância na sociedade. Os sentimentos, em razão das idéias filosóficas, passam a ter maior importância na vida dos homens. De acordo com o autor do livro Aspectos Psicológicos do Romantismo, Carlos Moraes, “ ao poeta romântico interessa não o poema perfeito, mas aquele que faça pulsar o coração encharcando os olhos de pranto”. Tal afirmação pode ser também dirigida ao músico deste período. A fantasia criadora assume uma importância maior do que a capacidade arquitetônica. Encontramos no texto de Bruno Kiefer trechos do diário de Schubert em que este último diz: “Oh, fantasia! Tu és a jóia inexaurível do homem, fonte inesgotável da qual bebem tantos os artistas quanto os sábios. Permaneça ainda conosco, apesar de reconhecida e admirada somente por poucos, para nos defender contra o assim chamado iluminismo. Aquele feio esqueleto sem músculos e sem sangue”.